Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Doutorado Profissional) em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT)
URI Permanente para esta coleção
O Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT), em nível Doutorado Profissional, que se constitui numa associação de Universidades da Região Nordeste do Brasil, formada pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade do Estado da Bahia, visa o somatório das potencialidades locais e regionais, objetivando a aquisição e o desenvolvimento de competências, formação e experiência diversificada, para compreender, refletir e atuar dentro da complexidade intra e interprocessual do desenvolvimento Agroecológico e Territorial, de modo interdisciplinar.
O PPGADT visa à formação interdisciplinar de profissionais de diferentes áreas de formação que serão capacitados para atuar na promoção da agroecologia e desenvolvimento territorial no que tange à diversidade socioambiental e aos desafios à transição agroecológica e promoção de sistemas agroalimentares sustentáveis.
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Submissões Recentes
- ItemA (in)visibilidade das mulheres na agricultura familiar: desafios e oportunidades para o desenvolvimento territorial na Bahia(2025-12-08) Souza, Italo Alves Dourado de; Barros, Edonilce da Rocha; Lira, Kalline Flávia Silva deEste artigo, fundamentado em extensa revisão bibliográfica, discute a (in)visibilidade das mulheres na agricultura familiar na Bahia. A pesquisa explora as causas estruturais e históricas que perpetuam a marginalização das mulheres agricultoras, analisando o acesso desigual a recursos, políticas públicas e o reconhecimento de seu trabalho. A partir de fontes como os censos agropecuários do IBGE e literatura acadêmica sobre gênero e agricultura, o estudo revela como o patriarcado e as políticas insuficientes reforçam a exclusão das mulheres nos processos produtivos e decisórios. Além de uma análise crítica das condições enfrentadas por essas mulheres, o artigo também discute as consequências da falta de políticas de gênero específicas e propõe direções para o desenvolvimento territorial sustentável com inclusão de gênero. O texto destaca a necessidade de políticas públicas mais equitativas, que fortaleçam a atuação das mulheres no campo, promovendo maior acesso a crédito, tecnologia e assistência técnica. Conclui-se que a transformação das relações de gênero no meio rural é essencial para alcançar a sustentabilidade e a equidade no desenvolvimento territorial.
- ItemRelatório Técnico-Conclusivo do Processo de Elaboração da Política Municipal de Educação Ambiental no Município de Juazeiro, Bahia(2025) França, Adson Cardoso deEste Relatório Técnico-Conclusivo registra o processo de elaboração da Política Municipal de Educação Ambiental de Juazeiro-BA, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O documento sistematiza as etapas metodológicas que culminaram na construção de uma proposta de política pública voltada para a integração transversal e contínua da Educação Ambiental na rede municipal de ensino, alinhada aos marcos legais nacionais, como a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999), a Constituição Federal de 1988 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU, 2015).
- ItemEducação agroecológica: pedagogia com os pés no chão extensão rural para a agricultura familiar no semiárido(UNEB, 2025-08-15) Aroucha, Edvalda Pereira Torres Lins; Nogueira, Eliane Maria de Souza; Maior, Felipe Sotto; Barros, Edonilce da Rocha; Cavalcanti, Edneia Rabelo; Oliveira, Lucia Marisy Souza Ribeiro de; Cocozza, Fábio Del MonteA Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) agroecológica demanda abordagens interdisciplinares capazes de articular dimensões técnicas, sociais, educativas e políticas do desenvolvimento rural sustentável. Nesse contexto, esta pesquisa tem como objetivo analisar a inserção e a atuação de pedagogas(os) em equipes multidisciplinares de ATER agroecológica, desenvolvidas por Organizações da Sociedade Civil, identificando suas contribuições para os processos formativos, organizativos e sociais junto às famílias agricultoras. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, fundamentado na aplicação de questionários semiestruturados a dirigentes de organizações, profissionais das ciências humanas e famílias agricultoras, além da análise documental de projetos pedagógicos de cursos de pedagogia. Os resultados evidenciam que a atuação das pedagogas transcende o espaço escolar, desempenhando papel estratégico na mediação de saberes, no fortalecimento da organização social, no empoderamento das mulheres e na qualificação das práticas agroecológicas. Contudo, identificam-se lacunas na formação inicial em pedagogia no que se refere à extensão rural e à agroecologia, o que faz com que a formação extensionista ocorra predominantemente no exercício profissional. Conclui-se que a integração entre pedagogia, agroecologia e extensão rural constitui um campo promissor para o fortalecimento da ATER agroecológica, apontando a necessidade de reorientações curriculares e de políticas públicas voltadas à valorização do componente educativo no desenvolvimento rural sustentável.
- ItemA educação ambiental como política pública para as escolas da rede municipal de ensino de Juazeiro (BA)(UNEB, 2025-02-24) França, Adson Cardoso de; Barbosa, Anna Christina Freire; Oliveira, Renata Sibéria de; Bomfim, Felipe Rodrigues; Oliveira, Lúcia Marisy Souza Ribeiro de; Ramos, Paulo Roberto; Lopo, Alexandre BoleiraAs constantes transformações e degradações que o meio ambiente vem sofrendo estão intrinsecamente ligadas às mudanças climáticas, emergidas tanto por fenômenos atmosféricos quanto por ações antrópicas. Considerando essa problemática, torna-se imperativa a busca por medidas que mitiguem tais impactos, sendo o ambiente educacional uma via fundamental para discussão e conscientização. Este trabalho, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial, objetivou construir e propor uma Política Municipal de Educação Ambiental para Juazeiro-BA, de sorte a promover a integração de concepções ecológicas e socioambientais nas escolas da rede municipal de ensino a partir dos princípios da agroecologia e do desenvolvimento territorial. Para tanto, desenvolveu-se uma metodologia dialética, de natureza qualitativa, que incluiu: pesquisa de campo com coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas com representantes da Secretaria de Educação (SEDUC), Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), gestores, coordenadores pedagógicos e professores; revisão de literatura para fundamentação teórica; e realização de eventos participativos, como encontro intersetorial de órgãos municipal, seminários e audiências públicas, para construção coletiva da política. O processo resultou na elaboração de produtos técnicos específicos, quais sejam: uma Cartilha Educacional sobre a Política de Educação Ambiental, um Relatório Técnico-Conclusivo detalhando todas as etapas do processo (diagnóstico, articulação intersetorial, validação acadêmica e institucional) e a organização de um Fórum para Coordenadores, Gestores e Comunidade em Geral de Juazeiro-BA. Os resultados evidenciaram a necessidade de diretrizes claras para a educação ambiental no município, a carência de formação continuada para os docentes e a fragmentação das iniciativas existentes. A política proposta estabelece princípios, objetivos e diretrizes para a implementação transversal e interdisciplinar da educação ambiental, com ênfase na valorização dos saberes locais, na convivência com o semiárido e nas práticas agroecológicas como eixos estruturantes do desenvolvimento territorial. Espera-se que a implementação desta política pública promova uma mudança de paradigma nas escolas, contribuindo para a sustentabilidade socioambiental do território e fortalecendo a construção de sistemas educacionais alinhados com os princípios da agroecologia.
- ItemAvaliação do manejo agroflorestal e dos níveis de conservação na área de uso comum da comunidade tradicional fundo de pasto varjão terra livre, Monte Santo–Bahia(UNEB, 2025-08-25) Pacheco , Jardel Luís Félix; Silva, Marcos Antônio Vanderlei; Rocha, Tatiana Cristina da; Santos, Andrea Cristiana; Carvalho , Aurélio José Antunes de; Nogueira , Eliane Maria de SouzaAs comunidades tradicionais de Fundo de Pasto são grupos de reprodução social típicos do Semiárido baiano que desenvolvem práticas agroecológicas a partir da gestão comunitária das áreas comuns do território. Entre essas práticas destacam-se diferentes categorias de sistemas agroflorestais, a criação de animais de pequeno porte, especialmente a caprinovinocultura, o extrativismo, o beneficiamento de frutos nativos e a agricultura, atividades que asseguram a conservação da Caatinga e a resistência desse modo de vida tradicional. No entanto, problemas como o sobrepastejo e a retirada ilegal de madeira em áreas de uso comum comprometem essa dinâmica. A pesquisa foi realizada na Comunidade Tradicional de Fundo de Pasto Varjão Terra Livre, em Monte Santo – Bahia, com abordagem quantitativa e qualitativa. Consideraram-se dimensões socioculturais e ambientais ligadas ao bem comum, envolvendo sócios e sócias da associação comunitária. A metodologia incluiu grupos focais, entrevistas coletivas semiestruturadas durante reuniões mensais e pesquisa de campo, com inventário florestal e levantamento fitossociológico da diversidade florística em 30 parcelas de quatro tipologias vegetais. Também foram realizadas análises de regeneração natural da Caatinga e caracterização química dos solos. Os resultados apontam a complexidade ecológica da Caatinga e a importância das áreas de uso comum na manutenção da vegetação nativa. Foram registradas 83 espécies distribuídas em 36 famílias botânicas, destacando a Fabaceae, com diversidade florística (H’ = 3,23) considerada alta diversidade e equabilidade intermediária (J’ = 0,70), indicando boa distribuição das espécies, com predominância das espécies Poincianera pyramidalis (Tull.) L. P. Queiroz (Pau-de-Rato), Syagrus coronata Martius Beccari (Licuri) e Croton conduplicatus Kunth (Quebra-Facão). A regeneração natural apresentou média de 1.226 indivíduos por hectare, com destaque para a família Fabaceae e a espécie Colicodendron yco Mart. (Incó) como centrais nesse processo. Os solos apresentaram condições adequadas de pH, matéria orgânica e nutrientes. Práticas como a conservação de “fechados” de gravatá e macambira atuam como ilhas de conservação, protegendo plântulas contra predação. Apesar de indicadores positivos, a continuidade da retirada ilegal de madeira ameaça a regeneração e a integridade ecológica da Caatinga, reforçando a necessidade de ações de proteção ambiental e estratégias de manejo agroecológico que articulem saberes locais às dinâmicas sociais do uso comum do território.