Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Doutorado e Mestrado Acadêmico) em Critica Cultural (Pós-Critica)
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O Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, da grande área dos Estudos Linguísticos e Estudos Literários, com o curso de mestrado desde agosto de 2009 e, a partir de agosto de 2019, também com o curso de doutorado, busca formar pessoal qualificado para as atividades de ensino e pesquisa no campo da cultura, focando as contribuições linguístico-literárias para as ciências humanas nos últimos cem anos e, ao mesmo tempo, pautando e praticando as novas exigências do campo cultural para os estudos de crítica, teoria e historiografia literárias. Nesse sentido, a qualificação planejada e posta em movimento implica não apenas uma teoria e uma prática de alto nível de especulação sobre a institucionalização da malha cultural no mundo contemporâneo, o sentido das instituições literárias e das políticas públicas concernentes ao letramento e à formação de leitores e de educadores, mas um empenho voltado à instituição da pesquisa avançada em direitos linguísticos e literários, na UNEB, expandindo com isso os espaços de interlocução com outros programas da área no Brasil e exterior.
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- ItemVozes insurgentes: produções de autoria indígena em situação pedagógica(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-19) Silva, Anyelle Gomes da; Santos, Osmar Moreira dos; José Carlos, Félix; Miranda, Marina RodriguesEste estudo investigou como produções de autoria indígena — para além da literatura, abrangendo música, arte, dança, oralidade, e espiritualidade — vêm sendo inseridas na Educação Básica, tanto em escolas indígenas quanto não indígenas. Em um país historicamente marcado por práticas de apagamento e epistemicídio, a pesquisa buscou compreender de que forma o sistema educacional brasileiro executa a inclusão cidadã da Lei nº 11.645/2008, que determina a inclusão das culturas indígenas no currículo escolar, e como as próprias comunidades mobilizam estratégias para fazer ecoar seus saberes. O eixo qualitativo privilegiou uma abordagem dialética, articulando leitura documental, revisão bibliográfica e investigação empírica de caráter etnográfico. O estudo de materiais didáticos e paradidáticos distribuídos pelo Estado possibilitou mapear as representações das produções indígenas e as práticas pedagógicas associadas. A pesquisa estendeu-se para além da perspectiva institucional, alcançando a produção intelectual e educativa dos próprios povos, destacando as táticas utilizadas para inserir saberes ancestrais no ensino formal e tensionar as estruturas hegemônicas da escola. Concomitantemente, examinou-se o papel das políticas educacionais, problematizando seus efeitos como mecanismos de inclusão ou de controle epistêmico. A observação de práticas, interações e discursos no contexto escolar foi fundamental para compreender as dinâmicas de resistência presentes no cotidiano. Como exercício confrontativo, a experiência da Bolívia foi analisada, evidenciando avanços em sua proposta de educação intercultural crítica. Assim, o estudo revela que, apesar do contexto de apagamento, as vozes indígenas não apenas resistem, mas reconfiguram os espaços pedagógicos, afirmando sua presença e seus saberes.
- ItemOralitura em cena: corpos negros, memória e performance no slam de salvador (BA)(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-03) Paz, Paulo Sérgio Silva da; Alves, Arivaldo de Lima; Pimentel , Ary; Santos , José Henrique de Freitas; Felix, José Carlos; Oliveira , Sílvio Roberto dos SantosNos Slams, a palavra não é apenas dita, ela é encarnada: inscreve no corpo negro a memória, a denúncia e a reexistência. A oralitura, nesses encontros de poesia falada, faz do corpo uma página viva, onde se escrevem as urgências de uma cidade que grita por escuta. Partindo dessa perspectiva, esta tese investiga como a poesia performada nos slams de Salvador, especialmente no Slam Dê Ideia, articula práticas de oralitura, performance e memória para tensionar os limites do campo lítero-cultural e afirmar outras epistemologias. A pesquisa combina escuta participante, análise textual e performática de poemas, entrevistas com poetas e acompanhamento direto dos eventos, buscando compreender como essas práticas ressignificam a literatura a partir das margens, dos corpos e das vozes historicamente silenciadas. Com isso, o objetivo principal não é apenas analisar performances como objetos distantes, mas reconhecê-las como práticas vivas e pulsantes, que interpelam quem assiste, quem escreve e quem pesquisa. Pois os slams, como um fenômeno cultural e literário contemporâneo, constituem uma prática de resistência cultural que redefine os modos de produção, circulação e recepção literária, desafiando os paradigmas tradicionais da literatura escrita por meio da oralidade performática. Optei por uma abordagem qualitativa de base etnográfica, centrada na observação direta de eventos e na análise de registros audiovisuais de performances realizadas entre 2021 e 2025. Essa pesquisa é constituída a partir de uma abordagem posicional do pesquisador em relação aos sujeitos da pesquisa. Assim, a proposta metodológica deste trabalho é entendida conforme o que o professor e antropólogo Dr. Ari Lima (2017) classifica como a consciência da “condição autoral posicionada”, evidenciando que esse método não é “menor” ou “menos científico”, mas sim um método tão válido quanto outros. Sua diferença é o agenciamento da experiência histórica e simbólica afrocentrada. Para alcançar esses resultados, a pesquisa se apoia em um referencial teórico centrado nos conceitos de oralitura e tempo espiralar de Leda Maria Martins (1997, 2021), nas reflexões de Paul Zumthor (1993, 1997, 2014) sobre voz, corpo e presença, além de nas contribuições estético-políticas de Muniz Sodré (2006, 2017) e Luís Rufino (2019), cujas obras sustentam a dimensão ética, estética e pedagógica do corpo negro em movimento e palavra. Tem-se ainda as potentes discussões de aquilomamento e ancestralidade desenvolvidas por Beatriz Nascimento (2021) e Lélia Gonzalez (1988). Com relevância equivalente, integram esse arcabouço os pensamentos de Florencia Garramuño (2014), especialmente no que tange à crise das formas e fronteiras literárias.
- ItemEtnicorrativas docentes: a educação das relações étnico-raciais nos ensinos de ciências e matemática(Universidade do Estado da Bahia, 2026-12-19) Souza, Alan dos Santos; Barbosa, Lícia Maria de Lima; Pereira, Áurea da Silva; Cruz, Maria de Fátima Berenice; Carvalho, Alexandra Souza de; Santos, Eliane CostaA partir do conceito de Etniconarrativas docentes, a tese investiga como professores e professoras de Ciências e Matemática da rede estadual em Catu/BA abordam a educação das relações étnico-raciais em suas práticas pedagógicas. A pesquisa parte do reconhecimento de que desigualdades sociais e tensões escolares estão vinculadas às questões raciais, e busca compreender os atravessamentos entre formação docente, subjetividades e práticas antirracistas. Questiono de que maneira as Etniconarrativas de professores e professoras de ciências e matemática revelam como a educação das relações étnico-raciais é compreendida, incorporada e praticada em suas ações pedagógicas. O objetivo geral é compreender como as etniconarrativas de professores e professoras de Ciências e Matemática revelam os atravessamentos entre formação docente e práticas antirracistas no ensino. Os objetivos específicos são identificar estratégias e desafios para viabilizar a educação das relações étnico-raciais, explicitar as suas concepções sobre conhecimento comum e científico, ciência e o papel do ensino de ciências e matemática, descrever como os docentes interseccionam a matemática, a cultura e a educação antirracista, além de compreender como a educação das relações étnico-raciais transversaliza a formação docente continuada e vice-versa. A fundamentação teórica dialoga com autores e autoras que discutem sobre formação docente e educação antirracista; conhecimento comum e científico, ciência(s); estudos decoloniais e contracoloniais; raça e racismo na sociedade; ensino de matemática relacionado a questões sociais e culturais; identidades e narrativas. A abordagem qualitativa e teórico-empírica fundamenta-se em autores da educação antirracista, estudos decoloniais e pesquisas sobre ciência, cultura e narrativas. O corpus empírico foi produzido por meio de entrevistas semiestruturadas, áudios e transcrições, analisados sob uma perspectiva pós-crítica. Os resultados revelam distanciamentos entre saberes acadêmicos e cotidianos, ausência de discussões raciais na formação inicial, práticas pedagógicas ainda pontuais e persistência de desigualdades de raça e gênero, especialmente no ensino de Ciências. As etniconarrativas mostram como memórias, histórias de vida e experiências docentes reconfiguram identidades e iluminam caminhos para uma formação continuada antirracista, indicando que a educação das relações étnico-raciais atravessa — e é atravessada por — a prática e a formação docente.
- ItemEmpoderamento entre os fios da memória: aportes de políticas públicas educacionais para a constituição identitária de estudantes canudenses(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-04) Souza, Tonivaldo Barbosa de; Santiago, Ana Rita; Pereira, Áurea da Silva; Félix, José Carlos; Silva, Rosângela Souza da; Ormeno, Gabriela Isabel ReyesBelo Monte foi um dos principais cenários de apagamento identitário e implementação da negação de pertencimento, outridade e silenciamento, inclusive, com riscos de morte para os que, até como descendentes dos ali massacrados, identificassem-se. Hoje, a Canudos implantada em seu lugar e próxima à localidade inicial, ressignifica sua existência e se impõe como um dos centros pujantes nas expressões das memórias, histórias e de reafirmações, em um esforço para o empoderamento identitário, de sua população, não só para o Estado da Bahia, mas também para o Brasil e para o mundo. Para tanto, Políticas Públicas Educacionais têm sido implementadas, tanto na esfera estadual como municipal, com vistas às reconstruções de tais memórias e empoderamento. Este estudo se propôs a analisar este processo de implementação das referidas políticas públicas, assim como também a sua relação com os construtos Memória e Empoderamento Identitário. A ancoragem metodológica utilizada para a pesquisa se estruturou de forma múltipla, utilizando-se de estratégias qualitativas como as rodas de conversa e entrevistas em Narrativas Autobiográficas, assim como das pesquisas bibliográficas e documentais, verificando leis, normas técnicas, resoluções dos setores educacionais, das manifestações socio-histórico-culturais e dados sociodemográficos, que tem retratado e influenciado nesses processos de empoderamento identitário. Participaram deste estudo, como entrevistados, um ex-membro do Conselho Estadual de Educação da Bahia, o relator da Lei Orgânica do Município de Canudos/Bahia, duas docentes responsáveis pelo ensino dos conteúdos ministrados nos componentes curriculares que tratam da História de Canudos. Além deles, foram realizadas cinco rodas de conversas, somando um total de 203 estudantes, concluintes do ensino médio do Colégio Estadual Luiz de Cabral, do Município de Canudos/Bahia. As informações apreendidas nas entrevistas indicaram mudanças percebidas nos processos educacionais, do município e do Estado da Bahia, assim como a tomada de iniciativas, buscadas tanto pelos poderes públicos como pela própria sociedade canudense, no sentido de acessar e promover alterações nas concepções, posturas e conhecimentos, reconstruindo entendimentos, desconstruindo outridades, rompendo silenciamentos e apagamentos, fazendo emergir memórias ainda vivas e promovendo o empoderamento identitário dos estudantes e da população como um todo. Mais e diferentes ações também são indicadas e percebidas como estratégias que darão continuidade nesse processo de reconstrução da memória do povo canudense, assim como do seu empoderamento identitário.
- ItemCarolinas em movimento- escrevivência de escritoras negras na Flup 2020(Universidade do Estado da Bahia, 2025-01-10) Pereira, Elisângela Soares; Seidel, Roberto Henrique; Oliveira, Maria Anória de Jesus; Miranda, Fernanda Rodrigues de; Santos, Osmar Moreira dosO objetivo geral dessa pesquisa é analisar as apreensões do mundo político, econômico e social de oito escritoras negras, selecionadas para o processo formativo da nona edição da Festa Literária das Periferias- Flup, partindo das suas escrevivências e das interlocuções com Carolina Maria de Jesus. O ponto de partida é analisar oito cartas (vídeos performances) e textos das respectivas autoras publicados no livro Carolinas – a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021) pela vertente da escrita feminina negra marcada pela autorrepresentação, auto ficções e escrevivências a fim de articular autoras com a escritora Carolina. Nessa premissa, o corpus da pesquisa abrange as escritoras Clara Anastácia, Yérsia Assis, Jota Ramos, Ananda Azevedo, Karlana Bianca, Ana Francisca, Valéria Alves e Paty Wollf. Escritora negra e periférica, Carolina Maria de Jesus ganhou notoriedade ao escrever Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960) pelo sucesso editorial. Sua escrita autobiográfica é um testemunho de escrevivência e revela a força da voz feminina ao tratar de questões sociais e de gênero. A celebração dos 60 anos de publicação do best seller foi força motriz para vários eventos literários e artísticos. Assim, em 2020, a nona edição da Festa Literária das Periferias- Flup- homenageou as escritoras Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez. Sobre a primeira foi realizado o Ciclo de debates intitulado Uma revolução chamada Carolina aberto ao público via digital e oficinas para mulheres autodeclaradas negras que se inscreveram e foram selecionadas para participar do processo formativo que culminou na publicação do livro Carolinas- a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021). Como resposta à chamada pública, 485 mulheres se inscreveram, destas 180 foram selecionadas. A seleção se deu por meio da escrita de uma carta a Carolina. Ao final de cada um dos quinze painéis formativos do Ciclo de debates uma carta foi apresentada, permitindo assim conhecer as jovens escritoras negras que são responsáveis por dar continuidade ao legado de Carolina Maria de Jesus. A inscrição estética destas mulheres inspiradas em Carolina Maria de Jesus e que ressignificam o nome da escritora para um patamar conceitual nos permite perceber o potencial da obra de Carolina de se expandir porque “circula entre os valores de semente, de vida, sobrevida e suplemento” (DERRIDA, 2002). A escrevivência, termo cunhado por Conceição Evaristo (1994), torna-se mote e motor literário e o livro coletivo atua como enfrentamento da invisibilidade e despersonalização do racismo e contribui para circular os acervos e promover o letramento da (re)existência e da resistência das novas escritoras negras. Grada Kilomba define a escrita “como ato político de descolonização, de tornar-se autora e autoridade da própria história” (KILOMBA, 2019, 28). A reivindicação do direito à palavra literária está atrelada nas Carolinas ao direito de tornar-se escritora e sujeito de sua história, se entendida na acepção de bell hooks (2019). Sob os signos do racismo, da desigualdade, da perversa divisão social e espacial, das dificuldades (i)materiais, as Carolinas reexistem e se inscrevem na literatura brasileira. Assim, o eixo teórico da pesquisa contempla o pensamento feminista negro. Mantém-se um diálogo constante com intelectuais negros e intelectuais negras. São estas: Sueli Carneiro (2003/2019/2023), Conceição Evaristo (2020), bell hooks (2019/2020), Grada Kilomba (2019), Patricia Hill Collins (2019/2021/2023), Neusa Souza (2021), Beatriz Nascimento (2021), Lélia Gonzalez (2020) dentre outras(os), cujas contribuições teóricas são fundamentais para a execução deste trabalho e se espalham ao longo de toda a discussão proposta.