Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Doutorado e Mestrado Acadêmico) em Critica Cultural (Pós-Critica)
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O Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, da grande área dos Estudos Linguísticos e Estudos Literários, com o curso de mestrado desde agosto de 2009 e, a partir de agosto de 2019, também com o curso de doutorado, busca formar pessoal qualificado para as atividades de ensino e pesquisa no campo da cultura, focando as contribuições linguístico-literárias para as ciências humanas nos últimos cem anos e, ao mesmo tempo, pautando e praticando as novas exigências do campo cultural para os estudos de crítica, teoria e historiografia literárias. Nesse sentido, a qualificação planejada e posta em movimento implica não apenas uma teoria e uma prática de alto nível de especulação sobre a institucionalização da malha cultural no mundo contemporâneo, o sentido das instituições literárias e das políticas públicas concernentes ao letramento e à formação de leitores e de educadores, mas um empenho voltado à instituição da pesquisa avançada em direitos linguísticos e literários, na UNEB, expandindo com isso os espaços de interlocução com outros programas da área no Brasil e exterior.
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- ItemA escrita-território: desdobramentos literários no movimento crítico cultural da educação escolar indígena.(Universidade do Estado da Bahia, 2026-04-07) Kárpio, Márcio de Siqueira; Santos, Cosme Batista dos; Miranda, Dayse Lago de; Santos, Ceres Maria Silva; Félix, José Carlos; Cruz, Felipe Sotto MaiorAs conquistas das comunidades indígenas no Brasil foram muito significantes nas últimas décadas, considerando, sobretudo a instituição de uma educação escolar indígena específica e diferenciada nos anos 80, com essa premissa, a relação dos povos indígenas com a escrita e consequentemente com a autoria passou por grandes transformações. Como problema central este texto-tese refere-se à necessidade de compreender de que forma a escrita-território, enquanto dispositivo metodológico crítico cultural, contribui para o entendimento da escrita literária indígena e consequentemente a ocupação desses territórios pelas comunidades, fortalecendo suas epistemologias e suas formas de representação no cenário educacional e cultural. Nesse sentido, esse tecido investigativo, parcialmente, dedica-se a investigar o papel da “escrita-território” na produção literária dos povos indígenas do semiárido baiano, com ênfase na atuação da Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena (LICEEI) ofertada pela Universidade do Estado da Bahia/UNEB, na promoção de epistemologias decoloniais, tendo como objetivo principal a compreensão da escrita literária dos povos indígenas do semiárido baiano, por meio da crítica cultural e da noção de "escrita-território", tendo como corpus principal da análise a coletânea "Vozes Indígenas". Para isso, realizou-se uma análise qualitativa da coletânea, empregando a abordagem da análise textual sob a perspectiva análise temática, permitindo identificar os elementos que relacionam a produção literária às reivindicações territoriais, identitárias e culturais de cada povo indígena retratado. A metodologia adotada foi qualitativa, baseada na análise bibliográfica, documental, com um tom majoritariamente exploratório, que envolveu a análise aprofundada de textos selecionados da coletânea, com foco nas narrativas que evidenciam a relação entre território e escrita, suas configurações temáticas, discursivas e poéticas. Como viés de sustentação teórico e metodológico desse estudo temos: Dorrico, Julie ( 2018); Hakiy, Tiago ( 2018) , Kambeba; Márcia Wayna ( 2018) ; Jekupé, Olívio (2018) ; Bergamaschi ( 2012); Graça, Graúna (2014, 2016, 2018); César, América (2006, 2011); GOMES, Kátia; SANTOS, Cosme. ( 2016); Santos, Cosme. (2011); Bakhtin, Mikael. (2010) ; SILVA, Carmem ( 2018); Cruz, Felipe (2021), Santos, Osmar Moreira (2011, 2015). Os principais achados indicam que a escrita-território funciona como um dispositivo de afirmação identitária, contribuindo para a revitalização dos saberes ancestrais e para a reafirmação das terras e territórios simbólicos e físicos, ainda, constatou-se que as produções literárias demonstram uma forte conexão entre o espaço físico, a memória coletiva e as práticas culturais, fortalecendo as identidades indígenas e promovendo uma educação decolonial capaz de confrontar narrativas hegemônicas. Na conclusão, evidencia-se que a escrita-território, enquanto olhar para analisar as produções literárias indígenas, promove uma renovação epistemológica, valorizando o conhecimento tradicional, a oralidade e os territórios de origem, numa prática que fortalece as estratégias de resistência frente às imposições coloniais e contribui para uma educação que reconhece e valoriza a diversidade cultural, ao tempo que reforça a importância do papel da Licenciatura Intercultural na construção de epistemologias decoloniais, incentivando a valorização e o protagonismo dos povos indígenas com o uso da escrita como instrumento de afirmação territorial e identitária.
- ItemTurismo histórico-cultural sustentável como estratégia política para o Parque Estadual de Canudos, Bahia (Brasil): subsídios à gestão de unidades de conservação e preservação da memória.(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-18) Carvalho, Maria Rosileide Bezerra deA presente pesquisa objetiva analisar a relevância do Parque Estadual de Canudos para a preservação da memória e do patrimônio natural vinculados à Guerra de Canudos, Bahia (1896-1897), buscando subsidiar a proposição de um Programa de Turismo Histórico-Cultural Sustentável, no âmbito do Plano de Manejo do Parque Estadual de Canudos. Fundado em 1986, o Parque compreendeu em sua implantação uma área de 1.321 hectares, abrigando valiosos sítios históricos e arqueológicos, além de sua importância biológica e prioritária para conservação, em virtude da predominância do bioma Caatinga. A área original do Parque foi reduzida para 462.0098 hectares em novembro de 2021. Ademais, o município de Canudos tem apresentado incremento na atividade turística local, com seus impactos negativos associados. A modalidade de investigação adotada inscreve-se como um Estudo de Caso. Para a produção dos dados foram utilizados os seguintes procedimentos: 1- Caracterização da área de estudo por meio de dados secundários, além de dados primários, coletados in loco; 2- Realização de três oficinas em campo, com o seguinte público alvo: membros adultos das famílias residentes na área demarcada originalmente, quando da criação do Parque Estadual de Canudos, técnicos de órgão ambiental municipal e de autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, lideranças políticas locais, além dos guias turísticos do Parque; e, como estratégias: aplicação de entrevistas semiestruturadas e de matrizes para planejamento estratégico com os informantes; 3- Os pontos relevantes ou de interesse, apontados pelos participantes, foram fotografados e georreferenciados para posterior utilização nos mapas participativos. Como aportes teóricos para a investigação foram utilizados: Albuquerque (2021, 2020), Alves & Acioli (2021), Begossi (1993), Branch (2021), Calasans (1987), Candido (2011), Couto et al. (2021), Couto (2007), Cunha (2005, 2000, 1984), Guattari (1990), Juncken & Surya (2022), Melo & Cardozo (2015), Oliveira Junior (2019), Ramos (2004), Zanettini & Robrahn-González (1999), entre outros. A reestruturação fundiária do Parque, com redução de cerca de 65% de sua área original, a despeito do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 15 da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), e da premência de conservação do bioma Caatinga, não impactou positivamente sobre os conflitos ambientais e territoriais existentes, bem como sobre as práticas causadoras de pressão ambiental, notadamente atividades agropastoris, resultando na perpetuação do desequilíbrio ambiental, desertificação, e perda da biodiversidade. Expecta-se por uma necessária incorporação de saberes locais na implementação de um turismo histórico-cultural sustentável que preserve o patrimônio histórico-cultural e natural de Canudos - BA.
- ItemProfessoralidades universitárias atravessadas pela parentalidade na deficiência: confabular rasuras(Universidade do Estado da Bahia, 2026-09-12) Freire, Crizeide Miranda; Oliveira, Maria Anória de Jesus; Salvadori, Juliana Cristina; Pereira, Áurea da Silva; Silva, Ana Lúcia Gomes da; Pimentel, Susana Couto; Sá, Maria Roseli Gomes Brito de; Costa, Váldina Gonçalves da; Santana, Thaís NascimentoDelineada a partir de uma escrita não-orientável, esta tese ancora-se no paradigma epistemológico pós-crítico (Meyer e Paraíso, 2014), figurando-se uma pesquisa-formação narrativa que se produz a partir de rasuras e fabulações, em perspectiva deleuziana, propondo a metáfora da Metamorfose como método, conceito e episteme Interrogando as subjetividades docentes na universidade, anuncia: as marcas da parentalidade atravessada pela diferença-deficiência fabulam professoralidades no corponormativo da universidade. Essas fabulações tomam formas no contradispositivo produzido pela e na pesquisa, o Com-fabulatório, espaço virtual de encontros síncronos e assíncronos com professoras e professores formadores da UNEB co-produziram e co-autoraram narrativas-experimentos tomadas e analisadas nesta tese a partir de cenas enunciativas que desestabilizam modelos normativos da formação docente e desafiam os dispositivos da institucionalidade universitária, como o memorial descritivo e a Política de Acessibilidade e Inclusão. A pesquisa desloca noções como profissionalidade, profissionalização e desenvolvimento profissional docente, para tecer com o conceito de professoralidades — compreendidas como diferenciações subjetivas em processo, marcas do vir-a-ser-professora e professor em sua singularidade e instabilidade. A parentalidade atravessada pela deficiência não é tomada como impedimento, mas como potência formativa e política, abrindo territórios para a construção de práticas pedagógicas anticapacitistas e solidárias. Entre as principais considerações, evidenciam-se descompassos entre norma e prática institucional, com ausência de escuta ativa das pessoas com deficiência e seus familiares nos três segmentos da universidade. A pesquisa, contudo, revela a produção de vínculos solidários e espaços de resistência e reinvenção docente, nos quais a parentalidade e a deficiência podem, no vir-a-ser, tornar-se elementos fundantes de uma nova ética do cuidado e da formação.
- ItemEscurecendo os fatos: o forró como forma de resistência do corpo preto!(Universidade do Estado da Bahia, 2026-03-06) Ribeiro, Nilton Alex Fernandes; Silva, Breno Luiz Thadeu Da; Moreira, Jailma dos Santos Pedreira; Félix, José Carlos Félix; Maciel, Neila Dourado Gonçalves; Benevides, Lourdisnete SilvaEste trabalho investiga o forró como expressão de resistência dos corpos pretos frente à indústria cultural e ao racismo estrutural. O Forró ao longo de sua história de gênero musical e dança, sofreu uma série de variações e recriações de estilos estéticos, passando pelo forró pé de serra, até o forró eletrônico, categorias que persistem e se reinventam até os dias atuais. A pesquisa propõe analisar o forró protesto, que é uma forma de usar do forró para denunciar e ocupar espaços como instrumento de (re)afirmação identitária e crítica social, destacando letras, corpos e contextos que abordam desigualdades, apagamentos e a luta por visibilidade. A hipótese central sustenta que o forró permanece como território de resistência preta diante dos processos de embranquecimento e silenciamento promovidos pela indústria cultural desde meados do século XX. A metodologia é qualitativa, fundamentada em análise documental, revisão bibliográfica e autoetnografia, sendo atravessada pelo conceito de escrevivência da Professora Conceição Evaristo. O aporte teórico articula autores como Bell Hooks (interseccionalidade), Frantz Fanon, Muniz Sodré (colonialidade e corporeidade), Achille Mbembe (necropolítica e estética) e Stuart Hall (identidade), dentre outros. A pesquisa assume a escrita autoetnografia, crítica, testemunhal e insurgente como ato político, denunciando mecanismos de exclusão e relembrando que o forró, além de ritmo musical, é prática cultural, estilo de vida e espaço de disputa simbólica. A relevância deste trabalho reside na valorização das raízes negras do forró e no enfrentamento das estruturas que tentam desfigurá-lo. Ao escurecer os fatos, o estudo contribui para o fortalecimento da luta antirracista, destacando a potência do forró como ferramenta de memória, resistência e afirmação dos corpos pretos.
- ItemModos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-20) Ribeiro, Lucicleide Guimarães; Santos, Osmar Moreira dos; Félix, José Carlos; Pedreira, Jailma dos Santos; Taffarel, Celi Nelza Zulke; Xing, FanA tese analisa o Movimento Popular e Histórico de Canudos como uma experiência singular de organização camponesa, destacando sua capacidade de produzir formas próprias de resistência, cultura, conhecimento e elaboração política, frente às violências históricas do Estado, do clero e do latifúndio. O objetivo geral da pesquisa consiste em investigar como o Movimento Popular e Histórico de Canudos produz formas próprias de organização camponesa, resistência política e elaboração simbólica frente às violências do Estado, do latifúndio e do clero, identificando de que modo essas práticas constroem alternativas de existência coletiva, fortalecem a luta por terra livre e inauguram novos modos de vida, autonomia e organização no sertão. A investigação parte das lutas por terra livre, coletividade e autonomia territorial, protagonizadas pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, compreendendo-as não apenas como ações reivindicatórias, mas como práticas de criação de signos, narrativas e linguagens que desestabilizam a ordem dominante. A partir de autores como Saussure (2006), Santos (2016; 2020), Oliveira (1997), Nietzsche (1895), Saramago (1922), Eagleton (1943), Rocha (2021), Marx (2011), Macedo (2021), Agamben (2004; 2005) e outros, o estudo articula teoria e prática por meio do diálogo direto com camponeses, quilombolas, assentados e integrantes do Movimento de Canudos, evidenciando como a teoria crítica ganha densidade quando atravessa experiências concretas de luta. A metodologia combina análise documental, observação participante, entrevistas, fóruns e ciclos de debates com comunidades rurais, buscando compreender como esses grupos reinterpretam conceitos políticos e produzem suas próprias leituras sobre poder, dominação e emancipação. Os resultados indicam que o Movimento construiu uma racionalidade política própria, fundada na solidariedade, na defesa da natureza, na autogestão comunitária e na religiosidade popular libertadora, para construir uma arqueologia da resistência. Mostram, também, que o Estado brasileiro opera historicamente dispositivos de exceção e abandono contra populações camponesas, reforçando a necessidade de resistência cotidiana diante da grilagem, da violência armada, do fundamentalismo religioso e das novas frentes de exploração. Conclui-se, portanto, que o Movimento de Canudos não é apenas um capítulo histórico, mas um laboratório contínuo de práticas emancipadoras que desafiam a lógica do capital e oferecem alternativas de organização social, apresentando-se como instrumento para novas insurgências, para novos cortes nos arames, para novas travessias capazes de reinventar a vida comum no sertão e além dele.