Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Doutorado e Mestrado Acadêmico) em Critica Cultural (Pós-Critica)

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O Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, da grande área dos Estudos Linguísticos e Estudos Literários, com o curso de mestrado desde agosto de 2009 e, a partir de agosto de 2019, também com o curso de doutorado, busca formar pessoal qualificado para as atividades de ensino e pesquisa no campo da cultura, focando as contribuições linguístico-literárias para as ciências humanas nos últimos cem anos e, ao mesmo tempo, pautando e praticando as novas exigências do campo cultural para os estudos de crítica, teoria e historiografia literárias. Nesse sentido, a qualificação planejada e posta em movimento implica não apenas uma teoria e uma prática de alto nível de especulação sobre a institucionalização da malha cultural no mundo contemporâneo, o sentido das instituições literárias e das políticas públicas concernentes ao letramento e à formação de leitores e de educadores, mas um empenho voltado à instituição da pesquisa avançada em direitos linguísticos e literários, na UNEB, expandindo com isso os espaços de interlocução com outros programas da área no Brasil e exterior.

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    Modos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos
    (Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-20) Ribeiro, Lucicleide Guimarães; Santos, Osmar Moreira dos; Félix, José Carlos; Pedreira, Jailma dos Santos; Taffarel, Celi Nelza Zulke; Xing, Fan
    A tese analisa o Movimento Popular e Histórico de Canudos como uma experiência singular de organização camponesa, destacando sua capacidade de produzir formas próprias de resistência, cultura, conhecimento e elaboração política, frente às violências históricas do Estado, do clero e do latifúndio. O objetivo geral da pesquisa consiste em investigar como o Movimento Popular e Histórico de Canudos produz formas próprias de organização camponesa, resistência política e elaboração simbólica frente às violências do Estado, do latifúndio e do clero, identificando de que modo essas práticas constroem alternativas de existência coletiva, fortalecem a luta por terra livre e inauguram novos modos de vida, autonomia e organização no sertão. A investigação parte das lutas por terra livre, coletividade e autonomia territorial, protagonizadas pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, compreendendo-as não apenas como ações reivindicatórias, mas como práticas de criação de signos, narrativas e linguagens que desestabilizam a ordem dominante. A partir de autores como Saussure (2006), Santos (2016; 2020), Oliveira (1997), Nietzsche (1895), Saramago (1922), Eagleton (1943), Rocha (2021), Marx (2011), Macedo (2021), Agamben (2004; 2005) e outros, o estudo articula teoria e prática por meio do diálogo direto com camponeses, quilombolas, assentados e integrantes do Movimento de Canudos, evidenciando como a teoria crítica ganha densidade quando atravessa experiências concretas de luta. A metodologia combina análise documental, observação participante, entrevistas, fóruns e ciclos de debates com comunidades rurais, buscando compreender como esses grupos reinterpretam conceitos políticos e produzem suas próprias leituras sobre poder, dominação e emancipação. Os resultados indicam que o Movimento construiu uma racionalidade política própria, fundada na solidariedade, na defesa da natureza, na autogestão comunitária e na religiosidade popular libertadora, para construir uma arqueologia da resistência. Mostram, também, que o Estado brasileiro opera historicamente dispositivos de exceção e abandono contra populações camponesas, reforçando a necessidade de resistência cotidiana diante da grilagem, da violência armada, do fundamentalismo religioso e das novas frentes de exploração. Conclui-se, portanto, que o Movimento de Canudos não é apenas um capítulo histórico, mas um laboratório contínuo de práticas emancipadoras que desafiam a lógica do capital e oferecem alternativas de organização social, apresentando-se como instrumento para novas insurgências, para novos cortes nos arames, para novas travessias capazes de reinventar a vida comum no sertão e além dele.
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    Homeschooling no Brasil: uma crítica acerca das inconsistências sociais e jurídicas da regulamentação da educação domiciliar no contexto brasileiro.
    (Universidade do Estado da Bahia, 2025-04-04) Silva, Larah Carolina Cavalcante Lima; Drummond, Washington Luis Lima; Mortimer, Julia Cambraia; Silva, Breno Luiz Thadeu da
    A educação domiciliar é entendida como o ensino realizado no âmbito doméstico sob mediação dos pais ou responsáveis legais. Tornou-se um tema relevante no Brasil especialmente a partir da segunda década do séc. XXI e passou a ganhar destaque pelos pais e responsáveis de todo o país. Apesar de ser adotada por um grande número de famílias, a prática é tida como ilegal dentro do território nacional, vez que precisa de regulamentação legal para ser institucionalizada. Diante da ilegalidade, projetos de lei foram propostos a fim de legalizar o modelo de ensino, todavia, pouco se discute sobre os impactos negativos que ele pode causar. Nesse sentido, o presente trabalho se propõe a verificar as inconsistências da adoção dessa prática no Brasil. Para tanto, pretende responder o seguinte questionamento: quais seriam os impactos negativos que a regulamentação da educação domiciliar no Brasil geraria? Nesse interim, objetiva-se: contextualizar o método de ensino denominado homeschooling; analisar o tratamento jurídico que a prática recebe na atualidade; perscrutar os projetos de lei propostos após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional a fim de permitir a educação domiciliar; e, por fim, verificar os perigos desse método estudantil no Brasil. A fim de cumprir com os objetivos, serão analisados autores como John Holt, Raymond e Dorothy Moore, Rousas J. Rushdoony, Fausto Zamboni, Georges Bataille, Washington Drummond etc. Ademais, analisar-se-á a legislação atinente ao tema, especialmente a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não menos importante, explorar-se-á as discussões judiciais acerca do homeschooling, com foco no RE 888.815/RS. Adota-se, para a construção deste trabalho, o método dedutivo através de uma abordagem qualitativa e da revisão bibliográfica de artigos, livros, ensaios científicos, legislações e decisões judiciais. Percebe-se, ao final, que a educação domiciliar é um método cheio problemáticas extremamentes sensíveis para ser aplicado em um país de dimensões continentais. Entende-se que seria mais interessante que os pais adotassem o modelo de afterschooling, posto que proporcionaria que o menor frequentasse a escola e tivesse a educação complementada pela família.
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    Vozes insurgentes: produções de autoria indígena em situação pedagógica
    (Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-19) Silva, Anyelle Gomes da; Santos, Osmar Moreira dos; José Carlos, Félix; Miranda, Marina Rodrigues
    Este estudo investigou como produções de autoria indígena — para além da literatura, abrangendo música, arte, dança, oralidade, e espiritualidade — vêm sendo inseridas na Educação Básica, tanto em escolas indígenas quanto não indígenas. Em um país historicamente marcado por práticas de apagamento e epistemicídio, a pesquisa buscou compreender de que forma o sistema educacional brasileiro executa a inclusão cidadã da Lei nº 11.645/2008, que determina a inclusão das culturas indígenas no currículo escolar, e como as próprias comunidades mobilizam estratégias para fazer ecoar seus saberes. O eixo qualitativo privilegiou uma abordagem dialética, articulando leitura documental, revisão bibliográfica e investigação empírica de caráter etnográfico. O estudo de materiais didáticos e paradidáticos distribuídos pelo Estado possibilitou mapear as representações das produções indígenas e as práticas pedagógicas associadas. A pesquisa estendeu-se para além da perspectiva institucional, alcançando a produção intelectual e educativa dos próprios povos, destacando as táticas utilizadas para inserir saberes ancestrais no ensino formal e tensionar as estruturas hegemônicas da escola. Concomitantemente, examinou-se o papel das políticas educacionais, problematizando seus efeitos como mecanismos de inclusão ou de controle epistêmico. A observação de práticas, interações e discursos no contexto escolar foi fundamental para compreender as dinâmicas de resistência presentes no cotidiano. Como exercício confrontativo, a experiência da Bolívia foi analisada, evidenciando avanços em sua proposta de educação intercultural crítica. Assim, o estudo revela que, apesar do contexto de apagamento, as vozes indígenas não apenas resistem, mas reconfiguram os espaços pedagógicos, afirmando sua presença e seus saberes.
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    Oralitura em cena: corpos negros, memória e performance no slam de salvador (BA)
    (Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-03) Paz, Paulo Sérgio Silva da; Alves, Arivaldo de Lima; Pimentel , Ary; Santos , José Henrique de Freitas; Felix, José Carlos; Oliveira , Sílvio Roberto dos Santos
    Nos Slams, a palavra não é apenas dita, ela é encarnada: inscreve no corpo negro a memória, a denúncia e a reexistência. A oralitura, nesses encontros de poesia falada, faz do corpo uma página viva, onde se escrevem as urgências de uma cidade que grita por escuta. Partindo dessa perspectiva, esta tese investiga como a poesia performada nos slams de Salvador, especialmente no Slam Dê Ideia, articula práticas de oralitura, performance e memória para tensionar os limites do campo lítero-cultural e afirmar outras epistemologias. A pesquisa combina escuta participante, análise textual e performática de poemas, entrevistas com poetas e acompanhamento direto dos eventos, buscando compreender como essas práticas ressignificam a literatura a partir das margens, dos corpos e das vozes historicamente silenciadas. Com isso, o objetivo principal não é apenas analisar performances como objetos distantes, mas reconhecê-las como práticas vivas e pulsantes, que interpelam quem assiste, quem escreve e quem pesquisa. Pois os slams, como um fenômeno cultural e literário contemporâneo, constituem uma prática de resistência cultural que redefine os modos de produção, circulação e recepção literária, desafiando os paradigmas tradicionais da literatura escrita por meio da oralidade performática. Optei por uma abordagem qualitativa de base etnográfica, centrada na observação direta de eventos e na análise de registros audiovisuais de performances realizadas entre 2021 e 2025. Essa pesquisa é constituída a partir de uma abordagem posicional do pesquisador em relação aos sujeitos da pesquisa. Assim, a proposta metodológica deste trabalho é entendida conforme o que o professor e antropólogo Dr. Ari Lima (2017) classifica como a consciência da “condição autoral posicionada”, evidenciando que esse método não é “menor” ou “menos científico”, mas sim um método tão válido quanto outros. Sua diferença é o agenciamento da experiência histórica e simbólica afrocentrada. Para alcançar esses resultados, a pesquisa se apoia em um referencial teórico centrado nos conceitos de oralitura e tempo espiralar de Leda Maria Martins (1997, 2021), nas reflexões de Paul Zumthor (1993, 1997, 2014) sobre voz, corpo e presença, além de nas contribuições estético-políticas de Muniz Sodré (2006, 2017) e Luís Rufino (2019), cujas obras sustentam a dimensão ética, estética e pedagógica do corpo negro em movimento e palavra. Tem-se ainda as potentes discussões de aquilomamento e ancestralidade desenvolvidas por Beatriz Nascimento (2021) e Lélia Gonzalez (1988). Com relevância equivalente, integram esse arcabouço os pensamentos de Florencia Garramuño (2014), especialmente no que tange à crise das formas e fronteiras literárias.
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    Etnicorrativas docentes: a educação das relações étnico-raciais nos ensinos de ciências e matemática
    (Universidade do Estado da Bahia, 2026-12-19) Souza, Alan dos Santos; Barbosa, Lícia Maria de Lima; Pereira, Áurea da Silva; Cruz, Maria de Fátima Berenice; Carvalho, Alexandra Souza de; Santos, Eliane Costa
    A partir do conceito de Etniconarrativas docentes, a tese investiga como professores e professoras de Ciências e Matemática da rede estadual em Catu/BA abordam a educação das relações étnico-raciais em suas práticas pedagógicas. A pesquisa parte do reconhecimento de que desigualdades sociais e tensões escolares estão vinculadas às questões raciais, e busca compreender os atravessamentos entre formação docente, subjetividades e práticas antirracistas. Questiono de que maneira as Etniconarrativas de professores e professoras de ciências e matemática revelam como a educação das relações étnico-raciais é compreendida, incorporada e praticada em suas ações pedagógicas. O objetivo geral é compreender como as etniconarrativas de professores e professoras de Ciências e Matemática revelam os atravessamentos entre formação docente e práticas antirracistas no ensino. Os objetivos específicos são identificar estratégias e desafios para viabilizar a educação das relações étnico-raciais, explicitar as suas concepções sobre conhecimento comum e científico, ciência e o papel do ensino de ciências e matemática, descrever como os docentes interseccionam a matemática, a cultura e a educação antirracista, além de compreender como a educação das relações étnico-raciais transversaliza a formação docente continuada e vice-versa. A fundamentação teórica dialoga com autores e autoras que discutem sobre formação docente e educação antirracista; conhecimento comum e científico, ciência(s); estudos decoloniais e contracoloniais; raça e racismo na sociedade; ensino de matemática relacionado a questões sociais e culturais; identidades e narrativas. A abordagem qualitativa e teórico-empírica fundamenta-se em autores da educação antirracista, estudos decoloniais e pesquisas sobre ciência, cultura e narrativas. O corpus empírico foi produzido por meio de entrevistas semiestruturadas, áudios e transcrições, analisados sob uma perspectiva pós-crítica. Os resultados revelam distanciamentos entre saberes acadêmicos e cotidianos, ausência de discussões raciais na formação inicial, práticas pedagógicas ainda pontuais e persistência de desigualdades de raça e gênero, especialmente no ensino de Ciências. As etniconarrativas mostram como memórias, histórias de vida e experiências docentes reconfiguram identidades e iluminam caminhos para uma formação continuada antirracista, indicando que a educação das relações étnico-raciais atravessa — e é atravessada por — a prática e a formação docente.