Interfaces entre educação e comunicação através da produção de mídias alternativas: possibilidades emancipatórias
Data
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
A presente pesquisa buscou investigar um programa de educação não-formal – Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia -, que atua na interface educação/comunicação através da produção de mídias alternativas, buscando estabelecer uma abordagem crítica a partir das possibilidades emancipatórias decorrentes desse processo e da relação com as tecnologias e o potencial intrinsecamente humano da comunicação. Para alcançar essa proposta foi traçado um panorama para a compreensão dessa interface nos campos das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação), da educação, comunicação e participação social, com ênfase nas possibilidades de desdobramentos sócio-político-culturais e suas possíveis conseqüências e relações decorrentes do processo de produção de mídias alternativas, em meio a procedimentos pedagógicos. A pesquisa teve como objetivos identificar e analisar as demandas socioculturais requeridas pelos sujeitos da pesquisa, no contexto da educação e da comunicação e as possibilidades dessa formação para a apropriação/ emancipação através do uso das mídias. A metodologia adotada tem por base o estudo de caso, por meio de uma abordagem dialética. Os instrumentos de coleta de dados foram entrevistas semi-estruturadas com os jovens do programa, e a análise de documentação referente às atividades pedagógicas e aos encaminhamentos do programa educativo, como planejamentos, relatórios e avaliações com os envolvidos (jovens, educadores e familiares), quanto aos desdobramentos do programa. O método de análise de dados aplicado foi a Análise de Conteúdo, que abrange tanto a análise documental como a análise da comunicação oral (Bardin, 1995). Ao final da pesquisa, constatou-se que os jovens alcançam uma inserção social, em grande parte decorrente da formação realizada pelo programa educativo pesquisado.Verificou-se também que o valor do programa e a influência positiva em suas vidas, para o prosseguimento dos estudos e inserção no Mundo do Trabalho, ocorrem e são reconhecidos pelos jovens. Porém, na dimensão da participação coletiva, social e política, o programa não promove uma efetiva realização dos seus propósitos, expressos em seus documentos como objetivos a serem alcançados. Embora observe-se que há um estímulo ao desenvolvimento de uma visão crítica do mundo, o posicionamento crítico dos jovens fica, em parte, limitado a uma concepção, mas poucos chegam à ação. Conclui-se que há ainda uma distância grande a ser percorrida entre as possibilidades de formação crítica para a emancipação das camadas populares e a concretização desse potencial. E ainda, que em uma sociedade, fundada e estabelecida tendo como centro o capital e regida pela busca da realização individual, todos os fatores concorrem contra a uma luta coletiva por direitos.