Vozes insurgentes: produções de autoria indígena em situação pedagógica
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Resumo
Este estudo investigou como produções de autoria indígena — para além da literatura, abrangendo música, arte, dança, oralidade, e espiritualidade — vêm sendo inseridas na Educação Básica, tanto em escolas indígenas quanto não indígenas. Em um país historicamente marcado por práticas de apagamento e epistemicídio, a pesquisa buscou compreender de que forma o sistema educacional brasileiro executa a inclusão cidadã da Lei nº 11.645/2008, que determina a inclusão das culturas indígenas no currículo escolar, e como as próprias comunidades mobilizam estratégias para fazer ecoar seus saberes. O eixo qualitativo privilegiou uma abordagem dialética, articulando leitura documental, revisão bibliográfica e investigação empírica de caráter etnográfico. O estudo de materiais didáticos e paradidáticos distribuídos pelo Estado possibilitou mapear as representações das produções indígenas e as práticas pedagógicas associadas. A pesquisa estendeu-se para além da perspectiva institucional, alcançando a produção intelectual e educativa dos próprios povos, destacando as táticas utilizadas para inserir saberes ancestrais no ensino formal e tensionar as estruturas hegemônicas da escola. Concomitantemente, examinou-se o papel das políticas educacionais, problematizando seus efeitos como mecanismos de inclusão ou de controle epistêmico. A observação de práticas, interações e discursos no contexto escolar foi fundamental para compreender as dinâmicas de resistência presentes no cotidiano. Como exercício confrontativo, a experiência da Bolívia foi analisada, evidenciando avanços em sua proposta de educação intercultural crítica. Assim, o estudo revela que, apesar do contexto de apagamento, as vozes indígenas não apenas resistem, mas reconfiguram os espaços pedagógicos, afirmando sua presença e seus saberes.