A divisão de frações para além do algoritmo: uma proposta didática com origami
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Resumo
Este trabalho teve como objetivo analisar uma proposta de intervenção ancorada no uso do origami, e seu potencial na ressignificação da divisão de frações, superando uma abordagem estritamente algorítmica e favorecendo a compreensão dos significados matemáticos envolvidos. Inicialmente foi feita uma investigação sobre o ensino da divisão de frações no âmbito da Educação Matemática, considerando as dificuldades conceituais historicamente associadas à aprendizagem dessa operação e sua abordagem baseada na aplicação mecânica de algoritmos. Estudos provenientes de avaliações oficiais, como o SAEB e o PISA, indicam o baixo desempenho dos estudantes em tarefas que envolvem operações com números racionais na forma fracionária, reforçando a necessidade de propostas didáticas que favoreçam a construção de significados conceituais. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada na análise teórica dos significados matemáticos da divisão de frações, bem como na análise a priori de uma proposta de intervenção pedagógica fundamentada no uso do origami. A proposta de intervenção analisada neste estudo foi um aprimoramento de uma proposta didática que utilizava o origami na abordagem da divisão de frações, de modo que relacionasse a área do retângulo, o princípio da contagem e os diferentes algoritmos da divisão entre frações. As dobras do origami, em contextos educacionais, apresentam potencial para atribuir significado a procedimentos algébricos e geométricos, ao favorecer a compreensão das relações parte–todo e da unidade de medida fracionária. Os resultados indicaram que o algoritmo de inverter e multiplicar não constitui um princípio conceitual, mas uma consequência algébrica das relações de equivalência e razão, permitindo compreender a divisão de frações como a razão entre áreas, em que o divisor define a unidade de referência, e evidenciou que o uso do origami favorece a visualização das relações parte–todo, da equivalência de frações e da partição de áreas, além de revelar procedimentos matematicamente válidos pouco explorados no ensino tradicional, que emergiram das representações construídas. A articulação entre representações figurais, manipulação das dobras e questionamentos orientados pode contribui para a formalização e internalização dos conceitos matemáticos abordados.