Representações imagéticas e discursivas do Brasil no discurso literário francês: uma questão de poder
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Resumo
As relações de poder que atravessam a cultura francesa e a brasileira, ao longo dos últimos cinco séculos, produziram um trânsito intergeracional de conhecimento, que possibilitou a construção de discursos sobre o Brasil fundamentados em uma categorização social composta de atributos imutáveis, a partir da perspectiva da estereotipia. Diante dessa constatação, esta pesquisa, de natureza bibliográfica-documental, com recorte temporal transversal e caráter multidisciplinar, visa discutir como a manifestação do poder se efetiva na produção das imagens culturais do Brasil no discurso literário francês, em uma perspectiva hegemônica, a partir de diferentes contextos sociais e históricos. Para tanto, este estudo propõe discutir um conjunto de representações do Brasil articulado em quatro eixos de análise, a saber, a representação em relatos franceses produzidos entre os séculos XVI e XVII; as representações do Brasil reverberadas durante o período Imperial, notadamente, a partir do reinado de Pedro II; e as imagens culturais do país no discurso literário francês do século XXI, que favorecem a manutenção das relações de poder e hegemonia, a partir de uma análise foucaultiana. Também é objetivo desta tese promover a reflexão acerca dos mecanismos e das práticas de poder que sustentam as representações dos elementos culturais brasileiros no discurso literário francês. Diante dos resultados obtidos, esta tese conclui que a invenção de um Brasil exótico e primitivo, forjada no século XVI, persiste no discurso literário francês contemporâneo. Nesse sentido, as representações e as imagens dos elementos da identidade brasileira permanecem vinculadas a estereótipos que funcionam como instrumentos de dominação, influência ou manifestação do poder.