O direito de ser triste: a ressignificação da tristeza no romance A Vagabunda de Colette
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Resumo
Este artigo busca compreender quais significados são concedidos à tristeza no romance A Vagabunda, de Colette, observando de que modo essa emoção atravessa a construção da protagonista Renée Néré e se relaciona com sua busca por individualidade e autonomia. Embora a tristeza seja frequentemente vista como uma emoção negativa no senso comum, a narrativa apresenta novos sentidos para ela, que ultrapassam o plano emocional e se aproximam de uma forma de resistência às expectativas sociais destinadas às mulheres no início do século XX. O trabalho se desenvolve a partir da leitura integral do romance, da seleção de fragmentos da narrativa em que a tristeza aparece de forma implícita ou explícita e da análise de elementos narrativos e simbólicos, articulados ao contexto social que influencia as experiências da personagem. A análise identifica que, no romance de Colette, a tristeza sofre uma ressignificação como modo de existência e como possibilidade de afirmar liberdade e autoafirmação.