Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas - DCHT23
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- ItemPoesia e identidade regional: a obra de Hugo Luna na tradição cultural e literária brasileira(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-15) Souza, Valdirene Ferreira; Santos, Aline Nery dos; Santos Júnior, José Welton Ferreira dos; Bastos, Maria de Fátima Sudré de AndradeEste artigo apresenta uma análise da obra poética de Hugo Luna, poeta natural de Seabra, Bahia, cuja produção literária valoriza e expressa a cultura, a religiosidade e a paisagem da Chapada Diamantina. A partir dos livros As Estações do Tempo (2022), Gota Serena (2019) e Garimpo (2023), investiga-se de que modo o autor entrelaça elementos da memória afetiva, do misticismo e da natureza em uma poética profundamente enraizada na tradição regional. Por meio de uma abordagem que articula crítica literária, ecopoética e estudos culturais, o estudo evidencia o compromisso de Luna com a preservação da identidade local e com a representação sensível do sertão baiano. A análise demonstra o papel da poesia como instrumento de resistência simbólica, reconstrução do imaginário coletivo e afirmação da territorialidade em um contexto marcado pela globalização e pelo apagamento das vozes periféricas. Nesse sentido, dialoga com as reflexões de Alfredo Bosi (1994), ao compreender o regionalismo literário como uma forma de valorização da diversidade cultural brasileira, ao mesmo tempo em que considera a perspectiva crítica de Durval de Albuquerque Júnior, que problematiza a construção simbólica do Nordeste ao discutir a chamada “invenção do Nordeste”.
- ItemEntre dor e a resistência: o feminicídio no romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-22) Santos, Janaína Ribeiro dos; Souza, Josane Silva; Silva, Odailta Alves da; Guimarães, Michel SilvaEste artigo analisa as relações entre feminicídio, violência de gênero e racialidades a partir das escrevivências de Conceição Evaristo, a escrevivência se configura como um gesto político de escrita protagonizado por mulheres negras, tomando como corpus o romance Ponciá Vicêncio (2003). Parte-se do entendimento de que a literatura constitui um espaço privilegiado de articulação entre ficção e realidade social, especialmente quando se trata da representação de violências historicamente naturalizadas na sociedade brasileira. O problema central que orienta o estudo consiste em investigar de que modo as escrevivências de Evaristo articulam raça, gênero e violência contra a mulher na representação do feminicídio, evidenciando a produção histórica da vulnerabilidade dos corpos femininos negros. Nesse sentido, o objetivo central é analisar como o feminicídio é representado em Ponciá Vicêncio, considerando suas inter-relações com a violência de gênero e as racialidades, compreendendo a obra como um dispositivo de denúncia e resistência às estruturas patriarcais e racistas. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se em uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, ancorada na análise literária do romance, com ênfase em três episódios de violência que culminam em mortes na narrativa, relacionados às personagens Vó Vicência, Ponciá e Bilisa. A análise dialoga com estudos teóricos de caráter interdisciplinar, sobretudo com o feminismo negro, além de estabelecer aproximações entre a narrativa ficcional e reportagens jornalísticas contemporâneas sobre violência contra a mulher. Conclui-se que Ponciá Vicêncio ultrapassa os limites da ficção ao ressignificar violências reais, contribuindo para a construção de uma consciência crítica acerca do feminicídio e reafirmando a centralidade da memória, da voz e da resistência das mulheres negras no enfrentamento das desigualdades de gênero e raça.
- ItemResistência e reexistência de mulheres negras em Água de barrela (2018) de Eliana Alves Cruz: a escrevivência como força(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-17) Oliveira, Camila Silva Alves de; Souza, Josane Silva; Silva, Odailta Alves da; Santos, Aline Nery dosEste trabalho tem como objetivo demonstrar, por meio da análise do livro Água de barrela (2018) de Eliana Alves Cruz, as violências que perseguiam crianças e mulheres negras na época colonial e as formas pelas quais elas reinventavam suas culturas, através da resistência e reexistência, pautando, principalmente, a reversão daquele cenário cruel de maldades e apagamento cultural das pessoas negras, além de destacar a educação como única saída para essa realidade, libertando as próximas gerações desse jugo desumano. A análise literária está fundamentada em autores que já realizaram estudos sobre o livro, como Laís Fagundes (2023), Adriana Bastos (2022), Jéssica Carvalho (2023) e Lara Frias (2023), com o intuito de reforçar as críticas presentes nesta análise; o conceito de escrevivência assenta-se na própria criadora, Conceição Evaristo (2018), principalmente sobre a figura da mãe preta e a representação da coletividade em cada personagem; a discussão estabelecida sobre resistência e reexistência centra em Ana Lúcia Silva Souza (2011) e não menos importante, a abordagem sobre as violências está pautada em Genivaldo Cavalcanti (2022) e Grada Kilomba (2019), que relatam as subordinações às quais os escravizados eram expostos e os estereótipos criados sobre eles.
- ItemA adaptação cinematográfica de A morte e a morte de Quincas Berro D'Água: assonâncias e dissonâncias(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-09) Coutinho, Jéssica Veloso; Leite, Gildeci de Oliveira; Figueiredo, Joabson Lima; Prado, Thiago Martins CaldasO presente artigo realiza uma análise comparativa entre A morte e a morte de Quincas Berro D’Água (2008), de Jorge Amado, e sua adaptação cinematográfica de Sérgio Machado (2010), buscando compreender como ambas dialogam ao destacar suas assonâncias e dissonâncias. A pesquisa fundamenta-se em Linda Hutcheon, quanto à teoria da adaptação, e em Roberto DaMatta, que discute a carnavalização como elemento estruturante na trajetória do protagonista, figura de liberdade e resistência às convenções sociais. Também são considerados os elementos míticos identificados por Gildeci Leite, que articulam ancestralidade afro-brasileira, simbolismos marítimos e figuras associadas às Pombagiras. O estudo evidencia que o filme preserva a essência simbólica, cultural e crítica da obra literária, enquanto a atualiza por meio de elementos visuais, sonoros e narrativos. Conclui-se que a reinterpretação fílmica reafirma a força e a atualidade dos temas amadianos, demonstrando como literatura e cinema se complementam na construção de novos sentidos sobre o povo brasileiro.
- ItemA ancestralidade como forma de resistência e reexistência na obra "Cartas para minha avó" de Djamila Ribeiro(Universidade do Estado da Bahia, 2025-08-07) Santos, Raquel Teodoro dos; Santos, Aline Nery dos; Souza, Josane Silva; Oliveira, Ronilda Rodrigues da SilvaA obra "Cartas para minha avó" (2021), da renomada ativista, filósofa e escritora negra contemporânea Djamila Ribeiro, oferece um profundo mergulho em suas memórias. Por meio de cartas póstumas à sua avó Antônia, a autora reconstrói sua trajetória da infância à vida adulta, tecendo um diálogo entre o passado e o presente. O presente trabalho se propõe a investigar, nos relatos da obra de Ribeiro, a ancestralidade na narrativa como contribuição no processo da autora de se descobrir enquanto mulher negra e de resistir a esse racismo que está alojado na estrutura da nossa sociedade. Pois, no cotidiano de sua mãe, Erani, e sua avó, Antônia, aspectos como o racismo e violências de gênero estavam sempre presentes, mas a resistência delas, diante da opressão, foi essencial para uma reexistência. Este estudo é uma pesquisa bibliográfica que se baseia na análise de diversas fontes online, como livros, artigos científicos, publicações de revistas e entrevistas da mídia. O objetivo é apresentar um breve panorama da chegada dos povos africanos ao Brasil e da subsequente construção da identidade afrodescendente, com foco nos debates sobre a ancestralidade negra. Para isso, a pesquisa dialoga com obras de autores como Eduardo de Assis Duarte (2010), Abdias Nascimento (2016), Petrônio Domingues (2007), Angela Davis (2016), Lélia Gonzalez (1984), Carla Akotirene (2019), Conceição Evaristo (2005) e Djamila Ribeiro (2021).