Quando o patriarcado silencia: a política do silêncio em um processo jurídico do início do século XX em Caetité Bahia
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Resumo
Neste estudo, apresenta-se uma análise desenvolvida a partir da noção de silêncio/silenciamento (Orlandi, 2007) no interior da teoria do discurso de base francesa (Pêcheux, 1975;1983) e seguindo o paradigma indiciário de Ginzburg (1991). Toma-se como arquivo de leitura processos jurídicos que envolvem mulheres no início do século XX na região do Alto Sertão da Bahia, salvaguardados pelo Arquivo Público Municipal de Caetité; elege-se, deste arquivo de pesquisa, um processo jurídico cujo acontecimento-crime ocorreu em 13 de novembro de 1913. Objetiva-se, com esta pesquisa, interpretar como mulheres/enunciadoras significam (e são significadas) a partir da imposição do silenciamento oriundo da estrutura patriarcal e quais efeitos de sentido esse silenciamento constrói. Nesse percurso, discute-se como as mulheres são violentadas, silenciadas e colocadas em um lugar de subalternização, sobretudo em espaços de poder como o judiciário. Para isso, articula-se teoricamente a categoria de linguagem com questões relativas ao gênero e ao patriarcado (Lerner, 2019). Conclui-se, parcialmente, que a mulher do processo analisado enuncia a partir da opressão que sofre por sua condição de gênero, raça e classe, e a partir do silenciamento que lhe é imposto; e é nessa conjuntura que seus dizeres e os efeitos de sentidos que são produzidos pelo processo jurídico estão inscritos numa formação discursiva que concebe as mulheres como submissas e subalternizadas.