Modos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos

dc.contributor.advisorSantos, Osmar Moreira dos
dc.contributor.authorRibeiro, Lucicleide Guimarães
dc.contributor.refereeFélix, José Carlos
dc.contributor.refereePedreira, Jailma dos Santos
dc.contributor.refereeTaffarel, Celi Nelza Zulke
dc.contributor.refereeXing, Fan
dc.date.accessioned2026-04-01T17:59:43Z
dc.date.available2026-04-01T17:59:43Z
dc.date.issued2025-12-20
dc.description.abstractA tese analisa o Movimento Popular e Histórico de Canudos como uma experiência singular de organização camponesa, destacando sua capacidade de produzir formas próprias de resistência, cultura, conhecimento e elaboração política, frente às violências históricas do Estado, do clero e do latifúndio. O objetivo geral da pesquisa consiste em investigar como o Movimento Popular e Histórico de Canudos produz formas próprias de organização camponesa, resistência política e elaboração simbólica frente às violências do Estado, do latifúndio e do clero, identificando de que modo essas práticas constroem alternativas de existência coletiva, fortalecem a luta por terra livre e inauguram novos modos de vida, autonomia e organização no sertão. A investigação parte das lutas por terra livre, coletividade e autonomia territorial, protagonizadas pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, compreendendo-as não apenas como ações reivindicatórias, mas como práticas de criação de signos, narrativas e linguagens que desestabilizam a ordem dominante. A partir de autores como Saussure (2006), Santos (2016; 2020), Oliveira (1997), Nietzsche (1895), Saramago (1922), Eagleton (1943), Rocha (2021), Marx (2011), Macedo (2021), Agamben (2004; 2005) e outros, o estudo articula teoria e prática por meio do diálogo direto com camponeses, quilombolas, assentados e integrantes do Movimento de Canudos, evidenciando como a teoria crítica ganha densidade quando atravessa experiências concretas de luta. A metodologia combina análise documental, observação participante, entrevistas, fóruns e ciclos de debates com comunidades rurais, buscando compreender como esses grupos reinterpretam conceitos políticos e produzem suas próprias leituras sobre poder, dominação e emancipação. Os resultados indicam que o Movimento construiu uma racionalidade política própria, fundada na solidariedade, na defesa da natureza, na autogestão comunitária e na religiosidade popular libertadora, para construir uma arqueologia da resistência. Mostram, também, que o Estado brasileiro opera historicamente dispositivos de exceção e abandono contra populações camponesas, reforçando a necessidade de resistência cotidiana diante da grilagem, da violência armada, do fundamentalismo religioso e das novas frentes de exploração. Conclui-se, portanto, que o Movimento de Canudos não é apenas um capítulo histórico, mas um laboratório contínuo de práticas emancipadoras que desafiam a lógica do capital e oferecem alternativas de organização social, apresentando-se como instrumento para novas insurgências, para novos cortes nos arames, para novas travessias capazes de reinventar a vida comum no sertão e além dele.
dc.description.abstract2The thesis analyzes the Movimento Popular e Histórico de Canudos (Popular and Historical Movement of Canudos) as a unique experience of peasant organization, highlighting its capacity to produce its own forms of resistance, culture, knowledge, and political elaboration in the face of the historical violence of the State, the clergy, and large landowners. The general objective of the research is to investigate how the Movimento Popular e Histórico de Canudos (Popular and Historical Movement of Canudos) produces its own forms of peasant organization, political resistance, and symbolic elaboration against the violence of the State, large estates, and the clergy, identifying how these practices construct alternatives for collective existence, strengthen the struggle for land rights, and inaugurate new ways of life, autonomy, and organization in the hinterland. The investigation starts from the struggles for land rights, collectivity, and territorial autonomy, led by traditional communities of pasture and closure, understanding them not only as claim actions but as practices of creating signs, narratives, and languages that destabilize the dominant order. Drawing on authors such as Saussure (2006), Santos (2016;2020), Oliveira (1997), Nietzsche (1895), Saramago (1922), Eagleton (1943), Rocha (2021), Marx (2011), Macedo (2021), Agamben (2004), and others, the study articulates theory and practice through direct dialogue with peasants, quilombolas, settlers, and members of the Movimento de Canudos (Movement of Canudos), demonstrating how critical theory gains depth when it intersects with concrete experiences of struggle.The methodology combines documentary analysis, participant observation, interviews, forums, and cycles of debates with rural communities, seeking to understand how these groups reinterpret political concepts and produce their own readings on power, domination, and emancipation. The results indicate that the Movement has constructed its own political rationality, founded on solidarity, the defense of nature, community self-management, and liberating popular religiosity to build an archaeology of resistance. It is also shown that the Brazilian State historically operates devices of exception and abandonment against peasant populations, reinforcing the need for everyday resistance in the face of land grabbing, armed violence, religious fundamentalism, and new fronts of exploitation. In conclusion, the Movimento de Canudos (Movement of Canudos) is not just a historical chapter, but a continuous laboratory of emancipatory practices that challenge the logic of capital and offer alternatives for social organization, presenting itself as an instrument for new insurgencies, for new cuts in the wires, for new crossings capable of reinventing common life in the hinterland and beyond.
dc.format.mimetypeapplication/pdf
dc.format.mimetype2application/pdf
dc.identifier.citationRibeiro, Lucicleide Guimarães. Modos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos. Orientador: Osmar Moreira dos Santos. 2025. 151 f. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) - Departamento de Linguística, Literatura e Artes, Universidade do Estado Bahia, Alagoinhas, 2025.
dc.identifier.urihttps://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/11269
dc.identifier2.Latteshttp://lattes.cnpq.br/3210345707618698
dc.identifier2.ORCID0000-0003-1325-3317
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade do Estado da Bahia
dc.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Crítica Cultural (Pós-Críotica)
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.rights2Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.subject.keywordsMovimento Popular e Histórico de Canudos
dc.subject.keywordsLuta camponesa
dc.subject.keywordsArqueologia da resistência
dc.subject.keywordsTerras coletivas de fundo e fecho de pasto
dc.subject.keywordsReligiosidade popular
dc.titleModos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos
dc.title.alternativeWays of Cutting Signs and Barbed Wire: Peasant Struggle Strategies in the Popular and Historical Movement of Canudos
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/doctoralThesis
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