Modos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos

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Data
2025-12-20
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Universidade do Estado da Bahia
Resumo

A tese analisa o Movimento Popular e Histórico de Canudos como uma experiência singular de organização camponesa, destacando sua capacidade de produzir formas próprias de resistência, cultura, conhecimento e elaboração política, frente às violências históricas do Estado, do clero e do latifúndio. O objetivo geral da pesquisa consiste em investigar como o Movimento Popular e Histórico de Canudos produz formas próprias de organização camponesa, resistência política e elaboração simbólica frente às violências do Estado, do latifúndio e do clero, identificando de que modo essas práticas constroem alternativas de existência coletiva, fortalecem a luta por terra livre e inauguram novos modos de vida, autonomia e organização no sertão. A investigação parte das lutas por terra livre, coletividade e autonomia territorial, protagonizadas pelas comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, compreendendo-as não apenas como ações reivindicatórias, mas como práticas de criação de signos, narrativas e linguagens que desestabilizam a ordem dominante. A partir de autores como Saussure (2006), Santos (2016; 2020), Oliveira (1997), Nietzsche (1895), Saramago (1922), Eagleton (1943), Rocha (2021), Marx (2011), Macedo (2021), Agamben (2004; 2005) e outros, o estudo articula teoria e prática por meio do diálogo direto com camponeses, quilombolas, assentados e integrantes do Movimento de Canudos, evidenciando como a teoria crítica ganha densidade quando atravessa experiências concretas de luta. A metodologia combina análise documental, observação participante, entrevistas, fóruns e ciclos de debates com comunidades rurais, buscando compreender como esses grupos reinterpretam conceitos políticos e produzem suas próprias leituras sobre poder, dominação e emancipação. Os resultados indicam que o Movimento construiu uma racionalidade política própria, fundada na solidariedade, na defesa da natureza, na autogestão comunitária e na religiosidade popular libertadora, para construir uma arqueologia da resistência. Mostram, também, que o Estado brasileiro opera historicamente dispositivos de exceção e abandono contra populações camponesas, reforçando a necessidade de resistência cotidiana diante da grilagem, da violência armada, do fundamentalismo religioso e das novas frentes de exploração. Conclui-se, portanto, que o Movimento de Canudos não é apenas um capítulo histórico, mas um laboratório contínuo de práticas emancipadoras que desafiam a lógica do capital e oferecem alternativas de organização social, apresentando-se como instrumento para novas insurgências, para novos cortes nos arames, para novas travessias capazes de reinventar a vida comum no sertão e além dele.


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Ribeiro, Lucicleide Guimarães. Modos de cortar os signos e os arames: estratégia de luta camponesa no movimento popular e histórico de Canudos. Orientador: Osmar Moreira dos Santos. 2025. 151 f. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) - Departamento de Linguística, Literatura e Artes, Universidade do Estado Bahia, Alagoinhas, 2025.
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