Processo civilizador e contra processo civilizatório na educação: análise das representações dos povos indígenas nos livros didáticos de história do ensino médio triênio (2018–2020)
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Resumo
Essa dissertação se concentra em explorar como os povos indígenas brasileiros são representados em livros didáticos de História direcionados ao segmento do ensino Médio, a partir da análise da coleção História: das cavernas ao terceiro milênio (2016), aprovada no Guia do PNLD/2018. Os referenciais teóricos articulam autores centrais para a discussão: Norbert Elias (1994, 2011, 2020), para compreender a lógica do processo civilizador e seus efeitos na educação escolar; Stuart Hall (2016) e Edward Said (2007), para discutir o conceito de representação. O estudo segue a determinação das leis 10.639 e 11.645 e prioriza as epistemologias de autoria indígena, afro-brasileira e africana. Assim, mobilizo os insumos epistemológicos alinhados ao debate pós-colonial, como: Oyèrónkẹ Oyěwùmí (2023), Fanon (2018, 2022), Bento (2002), Nêgo Bispo (2019), Felipe Tuxá (2021, 2023, 2024), Ailton Krenak (1992, 2019, 2020, 2022) e Daniel Munduruku (2015). A pesquisa, que utiliza uma abordagem qualitativa e quantitativa combinando a Análise de Conteúdo e a Análise de Discurso, argumenta que, mesmo com a obrigatoriedade da legislação, esses materiais escolares cristalizam o silenciamento e a invisibilidade dos povos originários, confinando-os a um passado distante e a um paradigma da contribuição. O trabalho conclui que os livros didáticos reproduzem a lógica colonial na educação e propõe um contra-processo-civilizatório, através do universo das cartografias plurais de mundo, que busca priorizar as epistemologias indígenas nos processos educativos.