A oralidade como guardiã da memória na Comunidade Quilombola De Lagoa do Zeca (Canarana/Bahia)

dc.contributor.advisorSilva, Jacson Baldoino
dc.contributor.authorOliveira, Allane Mendes de
dc.contributor.refereeLemos, Dayane Moreira
dc.contributor.refereeFernandes, Betânia Rita dos Anjos
dc.contributor.refereeSilva, Juliane Costa
dc.date.accessioned2026-05-18T21:48:17Z
dc.date.issued2026-04-14
dc.description.abstractEsta pesquisa investiga o papel das narrativas orais na preservação da memória e da identidade cultural da comunidade quilombola de Lagoa do Zeca (Canarana, Bahia), a partir do acervo documental do grupo de pesquisa Estudos Linguísticos, Literários e Históricos do Sertão (ELLiHS/CNPq), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A hipótese central é a de que a oralidade funciona como guardiã da memória coletiva da comunidade, preservando saberes ancestrais, identidades e resistências que não encontram equivalente em nenhum registro escrito. Contudo, a memória não é apenas passiva em sua função guardadora: ela é também ativa, produtiva e construtiva, atuando na recriação permanente das identidades coletivas e na produção de sentidos sobre o presente e o futuro da comunidade, como argumenta Pollak (1992) ao demonstrar que a memória seleciona, organiza e ressignifica o passado em função das demandas do presente. Nesse sentido, as narrativas orais de Lagoa do Zeca não apenas “guardam” o que foi vivido: elas o transformam, o atualizam e o mobilizam como instrumento de luta e de afirmação identitária. O corpus de análise é composto por cinco entrevistas realizadas com moradoras de Lagoa do Zeca, com idades entre 48 e 83 anos. A fundamentação teórica articula estudos da tradição oral (Hampâté Bâ, 2010; Cascudo, 2012), da memória coletiva (Pollak, 1992; Le Goff, 2003), da identidade cultural quilombola (Fernandes, 2023a, 2023b; Santos, 2023) e da sociolinguística de comunidades afro-brasileiras (Silva, 2023a; Lucchesi, 2009; Santana; Araújo; Freitag, 2018). Os resultados demonstram que as narrativas orais de Lagoa do Zeca cumprem funções simultâneas e indissociáveis: preservam a história da comunidade; transmitem saberes práticos sobre o território, a medicina popular e as práticas religiosas de matriz africana; constroem e reforçam a identidade coletiva quilombola; e operam como formas de resistência cultural e política diante dos processos históricos de apagamento. A pesquisa evidencia, ainda, que a identidade quilombola de Lagoa do Zeca é uma construção dinâmica, tecida coletivamente pela oralidade: ela não é um dado fixo e herdado de forma passiva, mas um processo contínuo de afirmação, negociação e reinvenção, no qual as narrativas dos mais velhos dialogam com as experiências dos mais jovens, produzindo um sentido de pertencimento e continuidade histórica que atravessa gerações (Pollak, 1992; Fernandes, 2023a). A pesquisa também evidencia que o acervo do ELLiHS constitui uma fonte oral de inestimável valor para a sócio-história das comunidades afro-brasileiras – como propõe Silva (2023a) –, dado que as entrevistas capturam, além de dados variacionistas, narrativas fundadoras, causos, memórias afetivas e marcas linguísticas de origem africana que não estariam acessíveis por nenhum outro meio de documentação.
dc.description.abstract2This research investigates the role of oral narratives in the preservation of memory and cultural identity within the quilombola community of Lagoa do Zeca (Canarana, Bahia), based on the documentary archive of the research group Linguistic, Literary, and Historical Studies of the Sertão (ELLiHS/CNPq), affiliated with the Universidade do Estado da Bahia (UNEB). The central hypothesis is that orality functions as the guardian of the community’s collective memory, preserving ancestral knowledge, identities, and forms of resistance that find no equivalent in written records. However, memory is not merely passive in its preservative function; it is also active, productive, and constructive, operating in the ongoing recreation of collective identities and in the production of meanings about the community’s present and future, as argued by Pollak (1992), who demonstrates that memory selects, organizes, and re-signifies the past according to present demands. In this sense, the oral narratives of Lagoa do Zeca do not merely “preserve” lived experiences; they transform, update, and mobilize them as instruments of struggle and identity affirmation. The corpus consists of five interviews conducted with female residents of Lagoa do Zeca, aged between 48 and 83 years. The theoretical framework brings together studies on oral tradition (Hampâté Bâ, 2010; Cascudo, 2012), collective memory (Pollak, 1992; Le Goff, 2003), quilombola cultural identity (Fernandes, 2023a, 2023b; Santos, 2023), and the sociolinguistics of Afro-Brazilian communities (Silva, 2023a; Lucchesi, 2009; Santana, Araújo, & Freitag, 2018). The findings demonstrate that the oral narratives of Lagoa do Zeca fulfill simultaneous and inseparable functions: they preserve the community’s history; transmit practical knowledge related to territory, folk medicine, and Afro-Brazilian religious practices; construct and reinforce collective quilombola identity; and operate as forms of cultural and political resistance in the face of historical processes of erasure. The study further shows that the quilombola identity of Lagoa do Zeca is a dynamic construction, collectively woven through orality: rather than being a fixed inheritance passively transmitted, it constitutes a continuous process of affirmation, negotiation, and reinvention, in which the narratives of older generations interact with the experiences of younger ones, producing a sense of belonging and historical continuity across generations (Pollak, 1992; Fernandes, 2023a). The research also demonstrates that the ELLiHS archive constitutes an oral source of inestimable value for the socio-history of Afro-Brazilian communities—as proposed by Silva (2023a)—since the interviews capture not only variationist data, but also founding narratives, folk tales, affective memories, and linguistic traces of African origin that would not be accessible through any other form of documentation.
dc.format.mimetypeapplication/pdf
dc.identifier.citationOLIVEIRA, Allane Mendes de. A oralidade como guardiã da memória na Comunidade Quilombola De Lagoa do Zeca (Canarana/Bahia). Orientador: Jacson Baldoino Silva. 2026. 41f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras Língua Portuguesa e Literaturas), Departamento de Ciências Humanas e Tecnológicas, Campus XVI, Universidade do Estado da Bahia, Irecê - BA, 2026.
dc.identifier.urihttps://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/11530
dc.identifier2.Latteshttp://lattes.cnpq.br/6875315622036473
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade do Estado da Bahia
dc.publisher.programColegiado de Língua Portuguesa e Literaturas
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.authorshipDeclaração de Autoria e Responsabilidade Aceita em 2026-05-17T18:52:04.091376110Z
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.rights2Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.subject.cnpqLinguística, Letras E Artes
dc.subject.keywordsOralidade
dc.subject.keywordsMemória coletiva
dc.subject.keywordsIdentidade quilombola
dc.subject.keywordsLagoa do Zeca
dc.subject.keywordsELLiHS
dc.titleA oralidade como guardiã da memória na Comunidade Quilombola De Lagoa do Zeca (Canarana/Bahia)
dc.title.alternativeOrality as the Guardian of Memory in the Quilombola Community of Lagoa do Zeca (Canarana, Bahia)
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/bachelorThesis

Arquivos

Pacote original

Agora exibindo 1 - 1 de 1
Carregando...
Imagem de Miniatura
Nome:
A oralidade como guardiã da memória_Alane Oliveira.pdf
Tamanho:
572.55 KB
Formato:
Adobe Portable Document Format

Licença do pacote

Agora exibindo 1 - 2 de 2
Carregando...
Imagem de Miniatura
Nome:
license.txt
Tamanho:
461 B
Formato:
Item-specific license agreed upon to submission
Descrição:
Carregando...
Imagem de Miniatura
Nome:
declaracao_autoria.txt
Tamanho:
339 B
Formato:
Plain Text
Descrição: