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A constituição do discurso do medo nos contos de fada configura-se como cerne da questão.
A pesquisa ora descrita, de natureza analítica, terá como corpus os contos, assim
classificados: os textos prototípicos de autoria de Jacob e Wilhelm Grimm – ―Branca de
Neve‖ ―Joãozinho e Margarida‖ e ―Cinderela‖, cujas matrizes de sentido serviram de base
para as versões contemporâneas – ―Branca de Neve, versão atualizada‖ de Pedro Migão,
―Conto Moderno 6 – João e Maria‖ de Mr. Lemos e ―Cinderela para o tempo moderno‖ de
Rubem Alves. O intento deste trabalho consiste em investigar como o medo é engendrado
discursivamente em ambas as versões, por serem essas datadas de épocas diferentes. Para
tanto, atentar-nos-emos às possíveis desconstruções/atualizações registradas nas versões
contemporâneas dos contos, em busca das motivações ideológicas as quais subjazem à
perpetuação de discursos providos de temor. Pretendemos analisar de que modo os elementos
do interdiscurso possibilitam o discurso do medo materializado nos textos supracitados, bem
como interessa-nos analisar as formações discursivas, as quais autorizam os dizeres ali
pulverizados. Valendo-nos dos preceitos postulados por Michel Pêcheux (1990, 1999, [1975]
2009,), e seus seguidores no Brasil, Orlandi (2010, 2012), Indursky (2009), destacaremos
sequências discursivas de tais contos, no intuito de investigarmos as instâncias do medo e os
sentimentos nascidos dessa paixão. Os contos em questão, nos quais se têm a fome, o
desamparo, a morte, a maldade humana, como índices do medo, revelam as formações
discursivas as quais autorizam o discurso e nos fazem pensar que há uma formação ideológica
capaz de reger a representação do medo quando se quer assombrar alguém.