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RESUMO
Esta tese tem por objetivo compreender a contribuição da aporofobia na produção do fracasso escolar na sociedade brasileira. A aporofobia, conceito cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina, se caracteriza por ser o ódio/rechaço/preconceito em relação ao pobre. Pobre, nesse contexto, é aquele/a considerado/a incapaz de contribuir, descartado por sua condição de classe, de gênero e/ou de raça. Nesse sentido, a aporofobia se realiza em intersecção com outras mazelas sociais, principalmente com o racismo. A aporofobia se constitui como uma afronta à democracia e é um grande empecilho a sua efetivação, na medida em que exclui, violenta e mata pessoas que estão à margem da noção capitalista de valor e de humanidade, em que o ser humano vale pelo que pode trocar/cambiar/oferecer. Dessa maneira, a aporofobia se constitui como preconceito que contribui para a manutenção da desigualdade social e educacional brasileira. Esta pesquisa se constitui como uma investigação que parte de um estudo teórico sobre a realidade brasileira, enquanto país latino-americano, buscando compreender as raízes da desigualdade social e educacional no Brasil e, posteriormente, nos encaminha para uma pesquisa de campo na qual nos preocupamos em compreender, a partir de um microcosmo de investigação – o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA – a influência da aporofobia na produção do fracasso escolar. Para tanto, possuindo como base teórica os estudos decoloniais, desenvolvemos a pesquisa de campo, na qual organizamos rodas de conversa em que os participantes falaram de suas experiências na Instituição, cujo objetivo foi identificar o que há de essencial nos relatos dos participantes, ou seja, categorias de significação que possam se relacionar com a aporofobia. A partir dos estudos teóricos e, principalmente, após os relatos dos participantes, compreendemos que a aporofobia se estrutura na sociedade influenciando a dinâmica educacional, entranhando-se no processo de ensino-aprendizagem e nas relações entre instituição, discentes e docentes, contribuindo para a manutenção da desigualdade e para a produção do fracasso escolar