Avaliação do abuso de álcool na adesão aos tratamentos farmacológicos antirretroviral e antidepressivo entre pessoas atendidas em um centro de referência em Salvador-Bahia-Brasil
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Resumo
A adesão ao tratamento farmacológico em pacientes com transtornos mentais severos é um fator muito importante para sua qualidade de vida, haja vista que esse quadro clínico agrega outros fatores estressores como estigma social, comorbidades, isolamento e desemprego. Esses desafios são ainda maiores quando o transtorno mental ocorre em pessoas que vivem com HIV (PVHIV). As taxas de HIV são pelo menos quatro vezes maiores entre pessoas com transtornos mentais em comparação a população geral. Além disso, o uso de álcool e de outras substâncias psicoativas são alguns dos fatores frequentemente associados a pacientes vivendo com HIV. O objetivo geral será avaliar a influência do abuso de álcool na adesão aos tratamentos farmacológicos antirretroviral contra HIV e antidepressivo entre pessoas atendidas em um centro de referência em Salvador-Bahia-Brasil. Consistirá em estudo quantitativo baseando-se no método de pesquisa descritivo de delineamento transversal sobre pacientes atendidos por um centro de referência de Salvador. Será aplicada uma entrevista estruturada para caracterização de dados sociodemográficos, juntamente com o Teste de Identificação de Transtornos por Uso de Álcool (AUDIT) para classificar o grau de uso nocivo do álcool, o teste de Morisky-Green para avaliar a adesão ao tratamento medicamentoso e, para a adesão à Terapia Antirretroviral (TARV), será utilizado o Questionário para Avaliação da Adesão ao Tratamento Antirretroviral. Foram abordados 40 pacientes. A maioria dos participantes abordadas foram do sexo masculino, entre 25 e 45 anos e que se identificavam como pretos ou pardos; 20% dos participantes possuem diagnósticos de transtornos mentais, como depressão e ansiedade. O uso de substâncias psicoativas (álcool e/ou outras drogas foi mencionado por 71,8% dos participantes. A maioria dos pacientes nunca deixou de tomar a medicação antirretroviral, enquanto 68,4% dos pacientes consomem apenas bebidas alcoólicas de 2 a 4 vezes por mês, e 57,9% não consomem bebidas alcoólicas em um dia normal. A análise estatística não encontrou uma correlação significativa entre o consumo de álcool e a adesão à TARV (P = 1,000). No entanto, fatores sociodemográficos, como sexo, escolaridade e situação financeira, influenciaram a adesão, sugerindo que intervenções devem ser adaptadas às características específicas da população. Em relação ao consumo de álcool, a maioria dos participantes consome de forma moderada, com uma proporção significativa reportando níveis não nocivos de consumo. Esses achados ressaltam a importância de intervenções focadas na educação sobre a continuidade do tratamento e estratégias para melhorar a adesão, considerando o impacto do consumo de álcool e outras substâncias na saúde mental e na capacidade de aderir ao regime terapêutico.