Controle da sífilis congênita na atenção primária: contribuições das enfermeiras que atuam no pré-natal
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Resumo
Introdução: A sífilis é uma doença de grande magnitude e importante transcendência, cuja transmissão se dá por via sexual ou vertical. A forma congênita resulta da sífilis gestacional não tratada, ou tratada inadequadamente, sendo estimado entre as gestantes infectadas um aumento de até 52% na probabilidade de ocorrer desfechos adversos. No Brasil, a Atenção Primária em Saúde é a principal porta de entrada das gestantes na atenção pré-natal, por isso, devido à ampla inserção das enfermeiras na atenção pré-natal essas profissionais desempenham um importante papel no controle da sífilis congênita, pois podem diagnosticar, prescrever e tratar a sífilis oportunamente a sífilis na gestação. Objetivos: Analisar os fatores associados a não prescrição do tratamento para sífilis em gestantes, por enfermeiras que atuam no pré-natal; desenvolver uma oficina para qualificação das ações de prevenção da transmissão vertical da sífilis, para enfermeiras que atuam no pré-natal, tendo como produto a construção da linha de cuidado da sífilis para a região de saúde de atuação. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal, com enfermeiras que realizavam pré-natal em unidades da atenção primária de uma região de saúde do estado da Bahia. Foi aplicado um questionário estruturado, no ano de 2022. A análise descritiva demonstrou a frequência absoluta e realtiva de características das enfermeiras (variáveis independentes) e da não prescrição do tratamento para sífilis na gestação (variável desfecho). A análise bivariada demonstrou a distribuição das variáveis independentes em relação ao desfecho, utilizando teste chi2 para verificar as diferenças entre os grupos, considerando o valor de p ≤ 0,10 para identificação das variáveis a serem incluídas no modelo multivariado. Para a escolha das variáveis no modelo final, utilizou-se a estratégia backward, eliminando-se cada uma das variáveis sem significância estatística a partir do modelo completo, permanecendo aquelas que apresentavam valor de p ≤ 0,05. Como medida de efeito, estimouse a razão de chances (OR) com seus respectivos intervalos de confiança à 95%, e a estimativa da curva ROC e o teste de Lemeshow foram utilizados para avaliar o poder explicativo das varáveis do modelo. A análise foi realizada no programa estatístico STATA® versão 15.0. O estudo foi aprovado pelo CEP UNEB, em 15 de julho de 2022, Parecer Consubstanciado n⁰ 5.530.845. Para a construção da linha de cuidado da sífilis na gestante na região de saúde trabalhada foi realizada uma oficina com as enfermeiras que atuavam no pré-natal. Resultados: Os principais resultados do artigo original demonstraram que ter insegurança/não considerar a prescrição como uma atribuição da enfermeira foi o fator associado a não prescrição da penicilina (OR= 70,50; IC95% 14,54-341,67). As enfermeiras que não tiveram capacitação para manejo da sífilis apresentaram 2,44 vezes mais chance de não prescrever a penicilina (OR 2,44; IC 95%; 0,686-8,679), em relação as que foram capacitadas. Conclusão: As evidências deste estudo demonstram a importância de investir nas enfermeiras que atuam no pré-natal capacitando-as, principalmente, para a prescrição do tratamento das gestantes com sífilis, como forma de evitar oportunidades perdidas para interrupção da doença e, assim, potencializar esforços para eliminação da sífilis congênita. A linha de cuidado elaborada pelas profissionais de saúde que realizam o pré-natal, poderá qualificar a atenção prestada às gestantes durante o pré-natal na região de saúde de Valença-BA.