Raça, gênero e labuta: a relevância da coluna “Fala a Mulher” no Movimento de Trabalhadoras Domésticas – Rio de Janeiro (1948-1950)
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Resumo
Este artigo analisa a coluna “Fala a Mulher”, veiculada no jornal Quilombo – Rio de Janeiro (1948-1950), como um espaço pioneiro de articulação do feminismo negro no Brasil. O objetivo principal é investigar de que forma a coluna contribuiu para a construção de um discurso político em torno da regulamentação do trabalho doméstico, operando na interseccionalidade entre raça, gênero e classe. A metodologia baseia-se na análise documental das edições do periódico, à luz das teorias do feminismo negro e da história da imprensa negra. A análise demonstra que a coluna transcendia o caráter informativo, funcionando como um dispositivo pedagógico e de denúncia das condições precárias de trabalho, herança do passado escravista. Conclui-se que a “Fala a Mulher” antecipou debates contemporâneos e atuou decisivamente na formação de uma consciência coletiva, promovendo a agência das mulheres negras e a institucionalização de suas lutas por direitos e cidadania.