Fenomenologia da capoeira: afirmação da existência afro
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Resumo
O presente trabalho propõe a relação da fenomenologia do corpo próprio de Merleau-Ponty com a capoeira. Ao analisar a construção do conceito de corpo próprio o autor propõe um método de investigação fenomenológico, que estabelece esse corpo como peça-chave de toda experimentação do mundo. O corpo é um invólucro ancorado no mundo. Ele tem como instrumento de relação com o mundo o gesto e a intersubjetividade, ambos atuantes no processo de desvendar o mundo. Onde o primeiro, o gesto, é a reação do meu corpo com o mundo, e a segunda, a intersubjetividade, é associação do contato do corpo primordial com o mundo e essa ponte com a racionalidade. Associando o corpo próprio com a capoeira, foi possível perceber que o corpo negro, apesar do sofrimento, procurou superar e recriar em si mesmo, pela sua potência, a forma de superação de toda opressão. Neste sentido, o corpo-capoeira assume a posição de ironizar e romper padrões eurocêntricos, aderindo a esse corpo irônico o aspecto fenomenológico de ser. Ao longo da trajetória histórica do corpo negro, não só o corpo, mas também as práticas afro-brasileiras foram sufocadas e valeram-se da mesma ferramenta irônica, para superar as dificuldades impostas, como o apagamento da identidade e a proibição das atividades negras. Da proibição à legitimação, a capoeira se mostra ferramenta de superação, assumindo atualmente, uma característica pedagógica e se transformando uma peça essencial para ampla divulgação da cultura afro-brasileira pelo mundo. Apoiando-se na sua estética de roda, a capoeira faz esse movimento de afirmação e superação, tanto pelo legado histórico, como por sua característica artística, como a musicalidade, por exemplo, que funciona como aspecto ritualístico e ao mesmo tempo demarca o tempo propício para aliviar as dores do dia-a-dia.