Crianças do campo e seus territórios-brincantes: culturas das infâncias no entorno da Barragem de Ceraíma
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Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo principal compreender como as crianças do campo, em suas atividades cotidianas, produzem, significam e (re)significam suas culturas das infâncias no entorno da barragem de Ceraíma, de modo a constituir seus territórios-brincantes. Ancoramos nos pressupostos teóricos da Sociologia da Infância e da Geografia da Infância para visibilizarmos as crianças como sujeitos de direitos, produtoras de culturas e constituintes de seus territórios. A pesquisa foi realizada com crianças de quatro e cinco anos em uma comunidade rural nominada Fazenda Baú, localizada no Distrito de Ceraíma, município de Guanambi, Bahia. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de viés etnográfico associada à abordagem mosaico, tratar se de um multimétodo que evidencia a coparticipação de crianças do campo na geração de dados através de fotografias, cirandas infantis e informações colhidas nas andanças com elas. Os resultados apontam os quintais como espaços que são transformados em territórios pela brincadeira, de modo que os espaços que circundam as práticas de agricultura familiar, a pesca, e a pecuária são ressignificados pelas crianças. Ao escolherem os espaços próximos das residências ou das roças, elas constituem territórios-brincantes e ao mesmo tempo produzem as culturas infantis do campo no entrelaçamento dos saberes culturais, materialidades naturais e as relações intergeracionais. A territorialização infantil por meio da brincadeira evidencia o ato de brincar como um ato político, no qual as crianças denunciam a carência de espaço de lazer na comunidade e a perspectiva urbanocentrada da escola do/no campo.