Narrativas dissidentes de mulheres negras lésbicas e o processo educacional
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Resumo
O presente trabalho tem por objetivo geral analisar os marcadores de exclusão gênero, raça e sexualidade para refletir, por um lado, sobre os impactos opressivos que causam nas trajetórias escolares de mulheres negras lésbicas, levando a interrupção escolar, e, por outro, as estratégias elaboradas para enfrentar as exclusões do processo formativo escolar. E por objetivos específicos, investigar se a autodefinição da construção da subjetividade lésbica contribui para o autofortalecimento e retorno escolar; analisar os impactos e contribuições gerados para a subjetividade após o retorno escolar; identificar as estratégias desenvolvidas para enfrentar os preconceitos. A pesquisa metodologicamente se enquadra na abordagem qualitativa, com perspectiva feminista lésbica negra, autobiográfica, de natureza exploratória, utilizando entrevistas como procedimento de pesquisa. São entrevistadas três mulheres negras assumidamente lésbicas, com escolarização adiada, todas integrantes do meu círculo de relação de amizade. O referencial teórico-metodológico toma por referência Patricia Hill Collins, com a categoria de autodefinição, e Conceição Evaristo, com a categoria de escre(vivência). Os resultados da pesquisa evidenciam o não lugar de mulheres negras lésbicas, lugar construído pela interseccionalização dos marcadores de desigualdades e operado pela escola. A instituição escolar perpetua o não lugar de pessoas negras e das sexualidades dissidentes através dos currículos, das interdições e exclusões que proporciona. Assim, a invisibilidade de mulheres negras lésbicas no espaço escolar é resultante de práticas pedagógicas assentadas em perspectiva de educação patriarcal racista heteronormativa, que produz mutilações nesses corpos em sua caminhada.