O que quer uma mulher? Constituição de pesquisadora em tempos e espaços universitários

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Data
0025-12-17
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Universidade do Estado da Bahia
Resumo

A pesquisa doutoral intitulada “O que quer uma mulher? Constituição de pesquisadora em tempos e espaços universitários” tem como objeto mulher pesquisadora subjetivada na universidade e parte do problema: em quais contextos uma mulher se constitui como pesquisadora nos tempos e espaços universitários e quais as implicações presentificadas na subjetivação da sua condição feminina? Para responder a essa questão, traçou-se como objetivo geral investigar os desafios enfrentados pela mulher na construção da trajetória de pesquisadora na universidade, seus enfrentamentos, conquistas e as formas pelas quais as relações de poder atravessam a sua porção feminina. Como objetivos específicos: identificar as barreiras estruturais advindas das relações de poder enfrentadas no cotidiano do espaço acadêmico pela mulher pesquisadora e que impactam sua atuação; escutar de que modo a universidade contribui para a constituição da mulher pesquisadora na perspectiva de romper com a lógica dicotômica entre o masculino e o feminino; e explorar as experiências subjetivas da mulher pesquisadora, refletindo sobre seus múltiplos papéis e influências na produção do saber e do conhecimento no contexto universitário, considerando espaços e tempos de prazer e desprazer. A estrutura da pesquisa foi sustentada por uma escuta epistemológica inspirada nos escritos da psicanálise freudiana e lacaniana, aliada a uma metodologia de natureza qualitativa, assentada no tripé: lócus, sujeitos e dispositivos. O lócus da pesquisa foi a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus I – Salvador. As participantes foram três professoras pesquisadoras, selecionadas pelo critério do desejo de participar. Embora o foco desta investigação esteja na constituição da mulher pesquisadora na universidade, as participantes do estudo são professoras pesquisadoras. Essa delimitação diz respeito ao recorte empírico e não implica uma discussão específica sobre o campo da docência, que aqui não configura categoria de análise. Os dispositivos de colheita utilizados foram a entrevista semiestruturada (Ornellas,2019,2011) e o desenho (Trinca, 2013, 2020; Aiello Vaisberg, 1991, 1999), aplicados como vias de expressão simbólica do discurso. O material produzido passou por leitura descritiva e escuta analítica, sendo posteriormente analisado à luz da Análise de Discurso francesa e brasileira (Pêcheux, 2009,1988; Orlandi, 2015, 2003, 2007,1999,1998). A análise dos desenhos, articulada às entrevistas, possibilitou detectar o dito, o não dito e o interdito manifestos nas cores, formas e composições das produções gráficas. Os discursos manifestos e latentes inscritos nas falas e nos traços das participantes revelaram as tensões entre o ser mulher e o ser pesquisadora no espaço acadêmico. A análise evidenciou que a universidade opera simultaneamente como campo de legitimação e de silenciamento, constituindo-se em território de deslocamentos identitários, resistências e reinvenções. Os achados apontam que a constituição da mulher pesquisadora é atravessada por múltiplas vicissitudes, em que o prazer e o desprazer coexistem na travessia entre o desejo de saber e as exigências institucionais. (In)conclui-se que ser pesquisadora é sustentar-se no entre, na tensão entre o reconhecimento e a falta, elaborando cotidianamente a própria possibilidade de ex-sistir e produzir conhecimento em um espaço marcado por uma ambiência que testa uma inexistência-leza e a desigualdade de gênero na ciência.


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CARVALHO, Rita de Cássia Chagas. O que quer uma mulher? Constituição de pesquisadora em tempos e espaços universitários. Orientadora: Maria de Lourdes Soares Ornellas. 2025. 234f. Tese (Doutorado em Educação e Contemporaneidade). Departamento de Educação. Campus I, Universidade do Estado da Bahia, Salvador - BA, 2025.
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