A escuta dos hábitos de escrita da comunidade do Barrocão de Cima
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Resumo
Este estudo apresenta, por meio de uma abordagem com inspiração etnográfica, reflexões acerca dos hábitos, usos e concepções de escrita da comunidade de Barrocão de Cima, buscando compreender de que maneira essas práticas cotidianas de escrita refletem e constroem identidades sociais e culturais no território. Tendo como suporte teórico, autores como Emília Ferreiro (1993), Orlandi (2001), Roxane Rojo (2009), Chartier (1930), Marcuschi (2001), Ângela Kleiman (1995). Para geração de dados, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, utilizando observação participante, entrevistas e registro de produções escritas em diferentes suportes, mensagens instantâneas, documentos comunitários, bilhetes e anotações domésticas. Os resultados apontam que, mesmo diante de desafios estruturais e de acesso às tecnologias, os moradores mobilizam diferentes letramentos que atendem a demandas comunicativas, afetivas e organizacionais da vida em comunidade. Tais práticas revelam sujeitos autores de suas próprias narrativas e demonstram que a escrita, para além de uma habilidade escolar, constitui-se como ferramenta de resistência, afirmação identitária e manutenção da memória local. Assim, este estudo contribui para a valorização de comunidades muitas vezes invisibilizadas pelos discursos hegemônicos e reforça a importância de uma escuta sensível dos modos de dizer e registrar o mundo que emergem do cotidiano.