Raquel Pereira Carneiro, educadora negra: trajetória intelectual e profissional da primeira professora primária de Tanque Novo/BA (1932–1988)
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo investigar e dar visibilidade à história de Raquel Pereira Carneiro, a primeira professora negra do povoado de Tanque Novo, na Bahia. A pesquisa analisa sua trajetória como educadora e figura intelectual, destacando seu papel no desenvolvimento educacional, cultural e social da comunidade. A investigação baseia-se na realização de uma entrevista, em fonte digital (como o blog raquelprofessorinha.blogspot.com), registros familiares e estudos prévios sobre a professora. O referencial teórico está ancorado nos estudos de Amado (2021), Miguel (2021), Pereira (1994), Pereira e Batista (2014), Vieira (2008; 2015), entre outros, que discutem a memória, a formação docente e o papel da educação como instrumento de transformação social. Dialoga também com Sirinelli (2003), que compreende o intelectual como sujeito inserido em seu tempo, capaz de refletir e intervir criticamente na realidade social. Esses referenciais permitem compreender a trajetória de Raquel Pereira Carneiro tanto a partir de sua atuação como educadora quanto de sua condição de intelectual engajada com o desenvolvimento da comunidade. O estudo evidencia os obstáculos enfrentados pela docente, como o racismo estrutural, a ausência de políticas públicas e as limitações no acesso à educação formal. Sua formação na Escola Normal de Caetité foi um marco importante em sua trajetória, especialmente em um tempo em que poucas mulheres negras ocupavam esse espaço. Conclui-se que sua atuação ultrapassou os limites da sala de aula, tornando-se referência de resistência, liderança e transformação comunitária. Além de atuar como professora, Raquel Pereira Carneiro participou de reivindicações na feira livre, lutou para trazer os Correios para o povoado de Tanque Novo e colaborou com atividades da Igreja Católica. Sua história evidencia como mulheres negras, mesmo diante de dificuldades, puderam ocupar papéis de liderança e contribuir para a transformação da realidade local, deixando registros importantes para a memória da comunidade e para estudos sobre intelectuais docentes na Bahia.