Rupturas e permanências: o controle do corpo feminino em macbeth e the handmaid's tale
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Resumo
Este estudo realiza uma análise comparativa das personagens Lady Macbeth,da tragédia Macbeth, de William Shakespeare (2016), e Offred, do romance distópico The Handmaid's Tale, de Margaret Atwood (2017), compreendendo a literatura como um espaço de produção e contestação de discursos sobre o corpo feminino. O objetivo central é investigar, à luz da teoria foucaultiana, as permanências e rupturas nas estratégias discursivas de controle sobre a função reprodutiva da mulher em contextos históricos distintos – o período Elizabetano inglês e a distopia moderna do século XX. A abordagem metodológica fundamenta-se na Arqueologia do Saber de Michel Foucault (2014), utilizando os procedimentos de análise das superfícies de emergência, instâncias de delimitação, condições de possibilidade de discursos e grades de especificação para examinar como os discursos sobre a maternidade, o corpo feminino e a moralidade constituem as personagens. A análise demonstra que a recusa da maternidade por Lady Macbeth representa uma ruptura condenável no século XVII, enquanto a redução de Offred à condição reprodutiva evidencia a permanência da maternidade como instrumento de regulação social. Desse modo, a pesquisa busca contribuir para a reflexão sobre os mecanismos discursivos que naturalizam a maternidade e sobre como a literatura tensiona essas normas, revelando tanto a persistência quanto as possibilidades de resistência ao poder