Bacharelado em Direito - DCHT20
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Submissões Recentes
- ItemDecisões arbitrárias e o discurso jurídico autoritário: a jurisprudência do TJBA acerca da execução imediata da pena nas condenações no Tribunal do Júri(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-11) Fogaça, Ludmila de Azevedo; Silva, Daniel Fonseca Fernandes da; Araújo, Igor Eduardo dos Santos; Rodrigues, Fábio Lopes; Silva, João Paulo Soares eEsta pesquisa investiga a forma como as decisões judiciais têm sido fundamentadas com base em princípios constitucionais de maneira seletiva e, por vezes, contraditória, especialmente na legitimação da execução imediata da pena em condenações do Tribunal do Júri, no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA). O objetivo central é examinar a jurisprudência desse tribunal para identificar de que maneira essa medida desfavorável ao réu se justifica e se institucionaliza como constitucional no ordenamento jurídico brasileiro. Os métodos descritivo e comparativo das decisões do tribunal mostraram-se mais adequados para a análise documental do estudo proposto, amparando-se em revisão bibliográfica de autores basilares para a investigação do tema, como Orlandi (2005), Neder (1995), Gloeckner (2018), Habermas (1997), Wróblewski (1988), Warat (1994) e Streck (1999; 2025). Embora alinhadas ao Supremo Tribunal Federal após o julgamento da ADI nº 6.783 e do Tema 1.068 (RE 1.235.340/SC), essas decisões acabam por violar garantias fundamentais, como a presunção de inocência. Trata-se de uma estratégia argumentativa sustentada em leitura tendenciosa da Constituição Federal, especialmente da soberania dos veredictos, que passa a legitimar a execução antecipada da pena nas condenações proferidas no Tribunal do Júri. Assim, consolida-se uma jurisprudência que, sob a rigidez de um sistema penal com marcas do autoritarismo, reproduz uma lógica de exceção e naturaliza decisões arbitrárias, o que se concretiza por meio do apego ao formalismo excessivo em suas fundamentações e, consequentemente, do prejuízo à dialética. Como resultado, a pesquisa mostrou que o TJBA aplicou a jurisprudência favorável à execução imediata da pena nas condenações no Tribunal do Júri de forma sistemática a abstrata. Dos doze acórdãos do tribunal baiano analisados, nove aplicaram a medida e sete seguiram esse padrão, evidenciando uma adoção reiterada e excessivamente formal do entendimento, nitidamente desconectado da análise do caso concreto.
- ItemEntre ideais punitivos e paradoxos do encarceramento em massa: discursos políticos locais e a implementação do presídio em Brumado/BA(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-11) Silva, Natiele de Lima; Silva, Daniel Fonseca Fernandes da; Avelar, Laís da Silva; Rodrigues, Fábio Lopes; Santos, João Xavier dosInvestir em prisões é uma estratégia penal antiga e os objetivos a serem alcançados pelo encarceramento variam conforme as políticas estabelecidas, momentos históricos e modelos econômicos empregados. Assim, o encarceramento em massa surge por influência do neoliberalismo que produz políticas que instituem o Estado Penal, investem na guerra ao crime e criminalização à pobreza, determinando um novo inimigo social a ser combatido. A expansão carcerária para o interior vista em muitos estados brasileiros, inclusive na Bahia, reflete uma busca desenfreada por construir mais vagas que aliviem a crise da superlotação do sistema criminal. Ao perceber os impactos desse fenômeno nas cidades interioranas, a presente pesquisa tem por objetivo descrever os discursos políticos que influenciaram o período de implementação do Conjunto Penal na cidade de Brumado/BA, que opera no sistema de cogestão. Para isso, foi necessária a realização do método de entrevistas com políticos que presenciaram a construção do equipamento prisional recém ativado, a coleta, tabulação e análise de reportagens que abordem os acontecimentos relacionado à unidade, além da interpretação de dados estatísticos sobre a temática principal. Já o referencial teórico se sustenta a partir das leituras de autores brasileiros e estrangeiros essenciais para a compreensão da temática, a exemplo, dentre outros, de Rafael Godoi (2011, 2015), Aline Passos Santana (2021), Luiz Claudio Lourenço (2015), Rodolfo Barros (2012), David Garland (2008, 2019), Loic Wacquant (2007). Os discursos políticos não só influenciaram, como interviram diretamente na instalação do conjunto penal na cidade e ao mesmo tempo que a prisão é vista como uma política de desenvolvimento desses interiores, mesmo que ineficaz para redução da violência e do crime, as mazelas do encarceramento continuam sendo silenciadas por consequência das camadas de proteção ao redor dessa instituição.
- ItemBanco de perfis genéticos de condenados: a legitimidade da sua existência à luz do conflito entre segurança e intimidade(Universidade do Estado da Bahia, 2025-11-18) Gomes, Islany Miranda; Almeida, Vitória Maria Dias de; Silva, João Paulo Soares e; Paula, Ana Cláudia Fagundes Oliveira Nobre de; Oliveira, Glenda FélixCom o avanço tecnológico, surgiram novos métodos de investigação criminal, como o Banco Nacional de Perfis Genéticos, que utiliza dados biológicos para auxiliar no combate à criminalidade, contribuindo para a justiça e a segurança na sociedade. O estudo analisou o BNPG como instrumento de identificação criminal no ordenamento jurídico brasileiro, examinando sua estrutura, funcionamento e implicações diante dos Direitos Fundamentais previstos na Constituição de 1988. Buscou-se compreender sua operacionalização, os conflitos entre normas constitucionais à luz da teoria de Robert Alexy e a ponderação entre o direito à intimidade e o interesse público. Trata-se de pesquisa ante factum, com método dedutivo, abordagem qualitativa e caráter exploratório, fundamentada em análise bibliográfica, legislativa, jurisprudencial e documental. No Brasil, o BNPG foi implementado entre 2012 e 2013, fortalecido pela Lei nº 13.964/2019, que incluiu o artigo 9º-A na LEP, autorizando a coleta compulsória de material genético de condenados. Desde então, opera com respaldo legal e contribui para a segurança pública. Verificou-se que os direitos à intimidade e à privacidade, embora essenciais, não são absolutos, podendo ser relativizados diante da atuação estatal, desde que respeitados os princípios da proporcionalidade e necessidade. O estudo conclui que o BNPG é um instrumento legítimo de apoio à persecução penal. A coleta e o armazenamento de DNA, quando realizados sob critérios exigidos pela Resolução nº 10/2019, e prezando pela proporcionalidade, idoneidade e necessidade, não violam a intimidade, constituindo meio eficaz para garantir a segurança pública e a justiça penal no Brasil.