Licenciatura em Teatro - DEDC7
URI Permanente para esta coleção
Navegar
Submissões Recentes
Agora exibindo 1 - 5 de 14
- ItemUPT para quê? Narrativa autobiográfica de um homem negro para a entrada na Universidade do Estado da Bahia - UNEB(Universidade do Estado da Bahia, 2025-11-12) Silva, Jocielio Cardoso da; Santos, Viviane Brás dos; Mota, Jones de Oliveira; Matos, Dandara SilvaO presente Trabalho de Conclusão de Curso apresenta uma narrativa com perspectiva autobiográfica de um homem negro e sua caminhada para entrada na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), adepto da religião de matriz africana Candomblé, trabalhador rural e morador de um território periférico, pertencente à ramificação familiar da Comunidade Quilombola dos Paus Pretos. Por meio de relatos autobiográficos inspirado nas escrevivências, a pesquisa reconstruiu minha trajetória de vida, evidenciando os deslocamentos físicos, subjetivos e simbólicos que marcam o caminho até minha inserção no Curso de Licenciatura em Teatro, mediada pelo curso pré-vestibular Universidade para Todos (UPT). A narrativa contempla os desafios enfrentados por jovens negros na busca pelo ensino superior público, destacando processos de exclusão estrutural, como o racismo, a precarização das condições de trabalho, as limitações educacionais, a gentrificação e a imposição de papéis sociais subalternos aos corpos negros, ao mesmo tempo em que revela estratégias de resistência, pertencimento e reinvenção que emergem na convivência comunitária e familiar. A análise é construída por um narrador-personagem que compreende sua própria vida como território de aprendizagem, interligando suas vivências às produções literárias presentes em seu livro Um Conto e 40 Poemas: Mainha Vivências e Poesia (Cardoso, 2023). A escrita, nesse contexto, assume um papel político e epistêmico: torna-se ferramenta de elaboração identitária e de denúncia das violências estruturais que modulam a existência negra no Brasil. O trabalho também se ancora no conceito de escrevivências formulado por Evaristo (2004), articulando-o às reflexões culturais de Laraia (1986), às discussões sobre identidade e diferença propostas por Silva (2000), às análises de subjetividade negra de Nogueira (2021) e às contribuições de Pinto (2025) sobre território, raça e pertencimento. Dialoga-se também com as Pedagogias das Encruzilhadas (Rufino, 2019), que iluminam os caminhos formativos que emergem dos rituais, corporalidades e saberes do Candomblé, bem como, com a educação crítica de Freire (1983), que compreende a escolarização como prática libertadora, e com a literatura insurgente de Evaristo (2004), que textualiza a dor, a memória e a resistência dos povos negros. Os aportes da antropologia da performance (Turner, 1982; Schechner, 2013) e dos estudos teatrais colaboram para compreender como o corpo do autor — corpo negro, espiritualizado, político e cênico — se torna espaço de aprendizagem e enunciação de saberes que não cabem nos moldes tradicionais da academia. O estudo dedica especial atenção ao Programa Universidade para Todos (UPT) enquanto política pública de acesso, permanência e reconfiguração das possibilidades educativas para jovens historicamente subalternizados. O UPT surge na narrativa como encruzilhada e instrumento de democratização do ensino superior, abrindo brechas de esperança e projetando novos horizontes para aqueles que, como o autor, enfrentaram legados de desigualdade, silenciamento e negação de oportunidades. Assim, o TCC analisa a educação como força emancipadora capaz de reconfigurar destinos que, por séculos, foram impostos aos corpos negros, sobretudo no contexto quilombola, rural e periférico. Entre a memória ancestral, o trabalho árduo, a literatura, o teatro, o Candomblé, o UPT e a universidade, este trabalho narra uma trajetória que não se encerra no indivíduo, mas que ecoa a experiência coletiva de muitos homens e mulheres negros que, diariamente, reinventam seus lugares no mundo. Dessa forma, este estudo celebra e denuncia, simultaneamente, as nuances e contradições que compõem a vivência e a formação de um homem negro, quilombola e periférico, cuja escrevivência insurgente se apresenta como testemunho e afirmação de existência em um país marcado por desigualdades históricas. Ao inscrever-se e ao escrever-se, o autor reivindica o direito de ser, formar-se e permanecer.
- ItemTeatro de Serrolândia-Bahia na Missão da Terra: Cala Boca Já Morreu!(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-11) Betânia Borges Bezerra, Maria; Faria, Karina Andréa da Silva; Silva, Reginaldo Carvalho da; Oliveira, José Benedito Andrade deEste trabalho propõe o conhecimento e uma reflexão sobre o teatro apresentado pelo grupo Cala Boca Já Morreu, da cidade de Serrolândia na Bahia situada no norte baiano, com o espetáculo: Tome Fome Morre o Homem, alcançando o primeiro lugar no Festival de música, teatro e poesia, organizado pela Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), e reapresentado na 16ª Missão, da Terra da Diocese de Bonfim na Bahia, coordenada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1994, na cidade de Capim Grosso, Bahia. A formação e mística dos jovens desse período, se dá diante de um contexto histórico, político, social do Brasil e da Igreja Católica com a Teologia da Libertação. Busco registros nos arquivos da CPT e da PJMP (cartazes, fotografias, entrevistas e documentos escritos, relatórios), e referência ao Teatro do Oprimido de Augusto Boal (1931-2019). A ação pastoral revela a importância da formação para assumir o compromisso coletivo com as causas sociais por meio da arte e, nesse sentido o teatro é um grande aliado.
- ItemProjeto Quebra-Cabeça, práticas teatrais com crianças com autismo pela perspectiva do sensível: uma experiência de ensino não formal em Petrolina – PE(Universidade do Estado da Bahia, 0026-12-22) Oliveira, Natália Agla Angelim de; Mota, Jones Oliveira; Silva, Carlos Alberto Ferreira da; Tavie, Gonzales; Souza, PascoalEste artigo apresenta um relato de experiência sobre práticas teatrais desenvolvidas com crianças com Transtorno do Espectro Autista - TEA no contexto do ensino não formal e orientadas pela perspectiva do sensível. Metodologicamente, o estudo se fundamenta na perspectiva do sensível em práticas teatrais, valorizando a experiência corporal, a escuta e os processos de afetação como modos de investigação. O objetivo é analisar de que maneira os jogos teatrais, mediados pela perspectiva do sensível, pelo corpo e pela experiência, podem favorecer processos expressivos, socioafetivos e de pertencimento. A pesquisa caracteriza-se como um relato de experiência fundamentado nas sistematizações dos jogos teatrais e nos estudos sobre o sensível, tendo por matéria-prima a observação prática das crianças, os diários de bordo destas, os registros audiovisuais e os relatos das mães. Os resultados indicam avanços significativos na atenção, na interação social, na autoconfiança e na ampliação das formas de comunicação e expressão das crianças. Portanto, conclui-se que o sensível é uma metodologia pedagógica potente no ensino de Teatro, pois contribui para práticas artísticas acessíveis e para o fortalecimento dos debates sobre neurodiversidade, educação artística e acessibilidade cultural.
- ItemEnsino de arte no quilombo: relato de experiência de um estágio em espaços não formais de educação(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-12) D'Avila, Samuel Marinho; Silva, Reginaldo Carvalho da; Faria, Karina Andrea da Silva; Dias, Maicon Vinicius PereiraA experiência com o estágio “Quilombandando” realizado no Alto da Maravilha, considerado um quilombo urbano da cidade de Senhor do Bonfim-BA, constituiu-se em um processo de profunda transformação e autoafirmação. Como homem negro e candomblecista, minha trajetória na educação, quando criança, foi eurocentrada, o que me causava medo em relação à religião e à cultura negra. Estudar em um curso de Licenciatura em Teatro auxiliou na decolonização do meu pensamento. Com a ajuda de professores, pude, neste trabalho, encontrar caminhos que me levaram às questões étnico-raciais, validando potências negrorreferenciadas (Soares, 2022; Ferreira, 2021). Escolher um terreiro de Candomblé e uma Associação comunitária como espaços não formais para o estágio foi a materialização dessa certeza. Através da contação de mitos dos Orixás (Prandi, 2001, com referência em Verger, [s.d.]), oficinas de atabaque, confecção de fantoches e oferta de comidas ancestrais, pude proporcionar uma vivência lúdica e sensorial para as crianças da comunidade quilombola. Com o apoio de lideranças locais, a importância desse projeto tornou possível o desvio das crianças dos perigos da rua, por meio da simples utilização de ferramentas lúdicas no combate à marginalidade. Portanto, este estágio se tornou mais que uma obrigação acadêmica; foi uma forma de acolhimento e resistência cultural que uniu as crianças ao pertencimento. Isso foi alcançado através de uma prática pedagógica que utilizou saberes ancestrais para construir um futuro melhor, trabalhando com fantoches no Teatro de Formas Animadas (Araújo, 2023; Amaral, 2007), musicalidade e a culinária.
- ItemUm voo entre vida e cena: a representação da mulher negra na dramaturgia de Cidinha da Silva(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-02) Silva, Agda Elen da; Oliveira, Érica de Souza; Bezerra, Cristiane Crispim; Faria, Karina Andréa da SilvaO presente trabalho tem como objetivo analisar a representação da mulher negra dentro da dramaturgia de Cidinha da Silva (2018), intitulada Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas. A peça conta a história de cinco mulheres negras que compartilham a vida, as tentativas de viver e sobreviver em uma sociedade que as rejeitam e as excluem. A obra foi escrita pela autora juntamente com a Cia. Os Crespos, companhia de São Paulo-SP que encena a obra, a partir de entrevistas com mulheres da capital paulista. Trabalhar com a obra de Cidinha da Silva se faz importante porque ela nos mostra em uma mesma obra várias realidades de mulheres negras da nossa sociedade, ela denuncia e expõe a violência e a negligência cometida contra essas mulheres. Para isto, a pesquisa será realizada a partir das leituras de autoras negras como Lélia Gonzalez (1984), que traz em sua obra arquétipos da mulher negra colocados pela sociedade, como a mucama, a mãe preta e a doméstica, estereótipos que em sua peça a Cidinha da Silva desconstrói, e enfatiza a importância de criar uma identidade negra positiva saindo da lógica eurocêntrica estereotipada sobre nossos corpos, tal como salienta Sueli Carneiro (2011). Para a pesquisa que se apresenta, ainda utilizo os pressupostos teóricos de bell hooks (2019), Conceição Evaristo (2020), Grada Kilomba (2019), Leda Martins (2023), entre outras intelectuais. Conclui-se que está pesquisa é necessária para ecoar vozes e histórias de mulheres negras, para que não mais sejam esquecidas ou contadas de formas estereotipadas.
- «
- 1 (current)
- 2
- 3
- »