Licenciatura em Ciências Biologicas - DCET2
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Navegando Licenciatura em Ciências Biologicas - DCET2 por Orientador "Santana, Iramaia de"
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- ItemPeixes marinhos perigosos?(Universidade do Estado da Bahia, 2025-07-29) Teles, Carla Sthefany Barroso; Santana, Iramaia de; Sales, Maria josé Dias; Miranda, Mariana PintoOs elasmobrânquios, conhecidos como os tubarões, cações e arraias, pertencem ao grupo dos peixes cartilaginosos, e desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Este trabalho atualiza os ditos sobre os tubarões, cações e arraias, focada na descrição de percepções e sentimentos a respeito dos elasmobrânquios e sua relação com a seu status de conservação. Por meio de elementos da Análise do Discurso de publicações online, foram identificados os principais sentidos atribuídos a esses animais e aferido o conhecimento relativo ao grupo. O Google Pesquisa foi a base de dados para a revisão de escopo sobre perigo e acidentes relacionados aos elasmobrânquios, que foram processados com o auxílio do software ATLAS.ti, resultando que o discurso da mídia e da ciência são os mais frequentes (27%), seguido pelo discurso governamental (15%) e da educação (5%). A mídia, em geral, reforça uma imagem negativa dos elasmobrânquios, associando-os ao perigo, sobretudo em relação a ataques, mas também destaca fontes de ameaças à conservação dos elasmobrânquios. O discurso científico, por sua vez, propõe estratégias de conservação para os elasmobrânquios e detecta ameaças à sua conservação. Já os discursos governamentais falam sobre as ameaças humanas à conservação enquanto recursos pesqueiros, e sobre suas estratégias de legislar para garantir a rentabilidade econômica a partir dos peixes cartilaginosos e estratégias de prevenção de acidentes. O campo educacional, apareceu em páginas web voltados ao ensino e pré-vestibulares. Paralelamente, foi realizada uma pesquisa de opinião com ênfase na percepção-sentimento sobre tubarões, cações e arraias, por meio de formulário eletrônico e enquetes no Instagram. Apesar da familiaridade com o consumo de peixes e especificamente de elasmobrânquios, o público respondente percebe os tubarões como um grupo perigoso e ameaçador aos seres humanos, recalcando o medo simbólico a este grupo, ainda que entendam como se dá o risco de acidentes com elasmobrânquios de um modo geral. Ademais, reconhece a importância da conservação e associa a extinção desses animais à destruição do habitat, pesca predatória e mudanças climáticas. Como parte de uma proposta de divulgação científica, com vistas ao papel da Universidade como contribuinte à construção de conhecimento de qualidade, foi desenvolvido um guia imagético de identificação de cações e arraias da região para científicos e curiosos pelo mar. O material é voltado para o público geral e apresenta ilustrações e informações morfoecológicas acessíveis, com o objetivo de incentivar o reconhecimento e a valorização desses animais marinhos. Conclui-se que os discursos analisados influenciam diretamente a percepção pública, muitas vezes marcada pelo medo e pela desinformação e que as iniciativas de divulgação científica, como o guia ilustrado, mostram-se essenciais para a educação ambiental, promovendo o conhecimento e a conservação dos elasmobrânquios.
- ItemQuanta informação há em apenas uma amostra de bycatch da pesca de arrasto de camarão?: revisitando a ecologia do bycatch(2022-12-26) Rosendo, Danille dos Santos; Santana, Iramaia de; Fontoura, José Roberto de Araújo; Santos, Eltamara Conceição; Sales, Maria José DiasA pesca de arrasto de camarão em ecossistemas marinhos ocorre via de regra na zona de arrebentação (ZA), ambiente fisicamente dinâmica, que funciona como proteção contra predadores devido a sua alta turbidez e baixa profundidade, e gera um excedente de captura relacionado a ictiofauna, chamado de bycatch, o qual tornou-se um problema mundial que desafia a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e consequentemente a própria pesca. O impacto do arrasto sobre a diferentes níveis tróficos associados à espécie-alvo provoca a captura “acidental” de indivíduos ainda imaturos, representando uma perda significativa na formação de biomassa alimentar e torna os estoques de peixes mais vulneráveis ao esgotamento. Partindo destas questões, o presente trabalho buscou responder a seguinte pergunta: Quanto informação ecológica pode haver em uma amostra de bycatch em um evento de pesca de arrasto de camarão? Seguindo o ponto de referência de desembarque da vila pesqueira de Poças, pertencente ao município do Conde, ocorreu 5 km de arrasto em frente ao município de Jandaíra. Foram identificados 414 indivíduos pertencentes a 33 espécies, distribuídas em 29 gêneros distribuídos em 16 famílias, para os quais investigou-se a estrutura populacional, aspecto da riqueza de espécies, diversidade da amostra, conectividade ambiental e níveis tróficos, além da análise bioeconômica da amostra. As famílias menos diversidades são todas de valor comercial, a saber: Lutjanidae (2), Pristigasteridae (2) e Clupeidae (1). Em contrapartida, as famílias Sciaenidae (9) e Carangidae (3) possuem espécies com e sem valor comercial, porém com alta diversidade de espécies. As famílias com maior riqueza são típicas de ambientes estuarinos, Sciaenidae (9 espécies e 234 indivíduos), e a família Clupeidae (1 espécie e 55 indivíduos). O resultado do IVI indicou que as mais importantes nesta amostra de bycatch foram: Stellifer microps, Odontognathus mucranatus, Larimus breviceps, Paralonchurus brasiliensis e Selene setapinnis, dados condizentes com resultados encontrados em diferentes trabalhos com cobertura amostral maior. Considerando-se a diversidade observada, associado com a predominância de altos níveis tróficos na amostra e o estado de conservação, ademais da biologia de algumas espécies de interesse econômico ( p. ex., L. synagris, L. bucannella, C. chrysurus) ou estrutural das ZA (p. ex., S. microps), pode-se falar de um efeito bottom-up de erosão das cadeias tróficas, visto que trata-se da remoção do estoque de juvenis pela pesca de arrasto de camarão de espécies que também descrevem rupturas na conectividade entre esta zona de nidificação, a ZA, com os ambientes estuarinos e recifes de mar aberto, havendo a necessidade urgente de medidas de gestão da pesca artesanal, para sobrevivência dos oceanos e ambientes costeiros marinhos e, consequentemente, da sociedade que recebe seus bens e serviços.