Luz invisível: a jornada do pregador e colportor cego na Chapada Diamantina, sertão da Bahia

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Data
2026-03-18
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Universidade do Estado da Bahia
Resumo

Esta dissertação investiga a trajetória biográfica e o legado sociocultural de José Araújo, conhecido como Zezé Cego, pregador e colportor presbiteriano cuja atuação na Chapada Diamantina, sertão da Bahia, operou como um vetor de transformação nas dinâmicas de inclusão e religiosidade durante o século XX. O estudo ancora-se na premissa de que a trajetória de Araújo transcende a hagiografia confessional, constituindo-se como um fenômeno de agência e resistência no contexto das populações periféricas e negras do sertão baiano. Através de uma abordagem historiográfica associada à pesquisa de campo e ao método biográfico, analisa-se como a apropriação do sistema Braille e a inserção na rede missionária presbiteriana — materializada em instituições como o Hospital Grace Memorial e o Instituto Ponte Nova — permitiram a Zezé Cego subverter o capacitismo estrutural e a invisibilidade social. A pesquisa discute o conceito de justiça cognitiva, evidenciando como a articulação de saberes técnicos e teológicos possibilitou ao sujeito com deficiência o exercício de uma autonomia funcional e intelectual antecipatória à Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). No plano sociológico, o trabalho examina o capital social espiritualizado gerado pela Missão Presbiteriana, refletindo sobre as ressonâncias contemporâneas dessa atuação e as tensões teológicas acerca da deficiência no atual cenário pluralista da região. Conclui-se que a memória de José Araújo atua como um dispositivo crítico capaz de iluminar debates sobre direitos humanos, diversidade funcional e a valorização das múltiplas formas de espiritualidade e reexistência nas culturas do sertão.


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REIS, Luiz Fernando de Carvalho. Luz invisível: a jornada do pregador e colportor cego na Chapada Diamantina, sertão da Bahia. 2026. 92f. Dissertação (Mestrado em Estudos Africanos, Povos Indígenas e Culturas Negras) – Universidade do Estado da Bahia, Irecê, 2026.
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