Práticas agroecológicas como diretrizes curriculares educacionais para convivência com o semiárido brasileiro no ensino fundamental II do Crato (CE)
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Resumo
Este trabalho propõe trabalhar as práticas agroecológicas nas escolas de Ensino Fundamental II como diretrizes curriculares, com foco no município do Crato (CE), localizado na região do Cariri, ao sopé da Chapada do Araripe. A proposta fundamenta-se na agroecologia enquanto ciência, prática e movimento social (ALTIERI, 2012; CAPORAL; COSTABEBER, 2004), aliada ao conceito emergente de Geoagroecologia, entendido como uma abordagem interdisciplinar que articula as categorias analíticas da Geografia (espaço, território, lugar, paisagem e região) às práticas agroecológicas, potencializando a leitura crítica do território e o protagonismo dos sujeitos do campo. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base na pesquisa-ação (THIOLLENT, 2011), articulando teoria e prática em um processo de construção coletiva do conhecimento. A metodologia está ancorada no materialismo histórico-dialético (MINAYO, 2000), combinada à pedagogia crítica de Paulo Freire (1996), valorizando os saberes populares e a educação como prática de liberdade. A coleta de dados ocorreu a partir da sistematização de documentos, observação em campo e realização de um Seminário Municipal de Educação e Agroecologia no Crato, o qual funcionou como espaço formativo e investigativo. Participaram professores, estudantes, agricultores, técnicos, gestores e representantes de movimentos sociais, organizados em grupos temáticos que discutiram práticas pedagógicas, tecnologias sociais e políticas públicas para a convivência com o semiárido. Como resultado, foram elaboradas propostas para o Plano Municipal de Educação do Crato, além de se buscar favorecer o vínculo escola-território e enfrentar as mudanças climáticas, por meio da conservação da agrobiodiversidade, sequestro de carbono em solos manejados de forma sustentável, valorização de sistemas agroflorestais e redução da dependência de insumos externos. O estudo configura-se como produto técnico científico voltado à formulação de políticas públicas de educação contextualizada, comprometida com a sustentabilidade socioambiental, a justiça territorial e o fortalecimento da agricultura camponesa no semiárido nordestino.