Monogamia, amor romântico e o fazer psicoterapêutico: significações atribuídas por profissionais de psicologia à estrutura monogâmica

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Data
2024-07-08
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Universidade do Estado da Bahia
Resumo

Recentemente, a psicologia tem criticado diversas estruturas sociais normativas, como a cisheteronorma, mas o mesmo não ocorre com a estrutura monogâmica. Este trabalho investigou o impacto das significações atribuídas à monogamia por profissionais de psicologia em sua atuação como psicoterapeutas. Os objetivos específicos incluíram descrever como profissionais de psicologia entram em contato com esse debate na construção da carreira, analisar suas significações sobre a estrutura monogâmica e verificar como percebem e lidam com pessoas não-monogâmicas em sua atuação como psicoterapeutas. A pesquisa adotou a perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural e constructos da não-monogamia política, numa abordagem de pesquisa qualitativa e exploratória. Foram realizadas entrevistas narrativas do tipo episódica com quatro psicólogas/os brasileiros, analisadas conforme a análise dos núcleos de significação do discurso. Da análise, emergiram três núcleos de significação: o ser e o tornar se psicóloga/o: neutralidade e espaços de formação; a norma e o pensar em torno dela: a monogamia está em todos os lugares; os contatos com a não-monogamia. Os resultados indicaram que a pretensa neutralidade das/os profissionais nem sempre é atingida, e a falta de discussões sobre monogamia e não-monogamia na formação formal é recorrente. Percebeu-se a naturalização da lógica monogâmica desde a infância e a reprodução de uma visão hegemônica de monogamia, como se a escolha por ela fosse adotada livremente, ainda que as várias mediações na vida mostrem o contrário. Em seguida, predominou uma visão liberal de não-monogamia, pautada na lógica mercadológica dos afetos. Encontraram-se também ambivalências e reprodução de estereótipos pelas/os psicólogas/os acerca dessas vivências, apesar de alguns discursos aludirem a uma aceitação dessa dissidência. Concluiu-se que a estrutura monogâmica impacta tanto na formação quanto na atuação das/os psicólogas/os, sugerindo-se pesquisas com públicos mais diversos e elaboração de materiais educativos que questionem o monogamismo, a fim de que possa ser ofertado um atendimento mais acolhedor.


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CARVALHO, Thiago Dias. Monogamia, amor romântico e o fazer psicoterapêutico: significações atribuídas por profissionais de psicologia à estrutura monogâmica. Orientadora: Sueli Barros da Ressurreição. 2024. 65f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Psicologia) - Departamento de Educação I, Campus I, Universidade do Estado da Bahia, Salvador - BA, 2024.
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