Os povos indígenas nos documentos manuscritos "avulsos" da capitania da Bahia (1604-1828): tensionando a historiografia colonial
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Resumo
A interpretação da formação territorial brasileira está atravessada por uma historiografia que reproduz aspectos da colonialidade que contribuiu para a perpetuação de imagens deletérias e pejorativas em relação aos povos indígenas. Retomar os documentos históricos que serviram de base para a construção da tradição historiográfica, portanto, é uma das possibilidades de rasurar essa narrativa, tomando como referência a perspectiva indígena, ou seja, daqueles que foram tornados “estrangeiros em sua própria terra”. O artigo realiza tal intento a partir de pesquisa documental em um dos principais corpus da historiografia colonial, os Manuscritos Avulsos da Capitania da Bahia, por meio da análise das menções aos povos indígenas. O estudo mostra o recurso à desumanização dos povos indígenas e ao desprezo pela Caatinga como estratégia de desterramento que tinha como objetivo a conquista territorial. Nesse sentido, deslugarizar aparece como maneira de justificar as diversas violências infligidas aos povos indígenas da colonização até o tempo presente.