Sertanegras: entre terra e silêncio a construção do pertencimento das mulheres negras sertanejas
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Resumo
Este artigo apresenta uma reflexão teórico-crítica sobre a invisibilidade histórica e social das mulheres negras sertanejas no contexto brasileiro, reconhecendo suas contribuições culturais, políticas e territoriais. A partir de uma abordagem qualitativa fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental, mobiliza-se o referencial teórico da Geografia Humanista, dos estudos decoloniais e do feminismo negro para problematizar a relação dessas mulheres com o território sertanejo, o pertencimento e as múltiplas formas de resistência frente às estruturas patriarcais e racistas. O estudo articula os conceitos de lugar (Yi-Fu Tuan), território (Milton Santos; Rogério Haesbaert), invisibilidade (Sueli Carneiro) e interseccionalidade (Patricia Hill Collins; Lélia Gonzalez), privilegiando autoras negras como forma de valorizar epistemologias historicamente subalternizadas. Os resultados apontam que, embora as mulheres negras sertanejas sejam centrais na manutenção da vida, da cultura e da memória no sertão brasileiro, permanecem sistematicamente apagadas das narrativas oficiais, dos registros fundiários e das políticas públicas. Conclui-se que visibilizar essas mulheres não é apenas um gesto acadêmico, mas um compromisso ético-político com a justiça epistêmica e territorial.