Utilização de plantas medicinais e fitoterápicos em gestantes de alto risco: um estudo descritivo exploratório

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Data
2025-12-15
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Universidade do Estado da Bahia
Resumo

Introdução: O presente estudo investiga o perfil de uso de plantas medicinais e fitoterápicos por gestantes de alto risco atendidas em uma maternidade pública de Salvador, Bahia. A pesquisa é motivada pela elevada prevalência de gestações de alto risco e pelo uso frequente de plantas e chás por gestantes que, muitas vezes, consideram essas práticas naturais e, portanto, seguras, apesar da escassez de evidências científicas que sustentem tal percepção. Essa realidade levanta preocupações importantes sobre possíveis interações medicamentosas, efeitos adversos e riscos materno-fetais, incluindo toxicidade e teratogênese. Objetivo: identificar as espécies vegetais utilizadas, compreender as motivações para seu uso e discutir potenciais eventos adversos e possíveis interações medicamentosas associadas. Metodologia: Foi realizado um estudo descritivo-exploratório, desenvolvido a partir de um questionário eletrônico autoaplicado em gestantes de alto risco da maternidade Tsylla Balbino. A análise lexical do corpus textual das respostas abertas foi realizada com o software IRaMuTeQ (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires). Resultados e Discussão: Foi observado com maior frequência a utilização de algumas espécies como camomila (Matricaria chamomilla), erva-doce (Pimpinella anisum) e capim-santo (Cymbopogon citratus), outras espécies também foram usadas como Ginkgo biloba, sene (Senna alexandrina), sabugueiro (Sambucus nigra), erva santa (Maytenus ilicifolia), gengibre (Zingiber officinale), entre outros, foram utilizadas majoritariamente para o alívio de queixas como ansiedade, gases, insônia e sintomas gripais,. A análise lexical realizada pelo software IRaMuTeQ reforçou esses achados, evidenciando a alta frequência de termos como “chá”, “folhas”, “plantas”, “infusão”, “sono”, “azia” e “ansiedade”. Tal padrão confirma o uso predominante de chás e outras preparações fitoterápicas como estratégia terapêutica para o manejo de desconfortos gestacionais. Observou-se que grande parte das plantas relatadas possuem na composição metabólitos como flavonoides e terpenos, alguns dos quais são descritos na literatura como potencialmente associados a teratogenicidade, embriotoxicidade e efeitos abortivos quando utilizados em altas doses ou uso prolongado. Conclusão: O uso de fitoterápicos é uma prática amplamente difundida entre gestantes de alto risco na população estudada. A presença de compostos com toxicidade reprodutiva em várias espécies utilizadas reforça a necessidade urgente de ações educativas e da integração de orientações fitoterápicas baseadas em evidências no acompanhamento pré-natal. A capacitação dos profissionais de saúde para o aconselhamento qualificado e o monitoramento ativo do uso de fitoterápicos emergem como medidas essenciais para promover a saúde materno-fetal e conciliar saberes populares com o manejo clínico baseado em evidências, garantindo uma assistência pré-natal integral.


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NEIVA, Thainná Brito. Utilização de plantas medicinais e fitoterápicos em gestantes de alto risco: um estudo descritivo exploratório. Orientadora: Valdirene Leão Carneiro; Coorientador: Iago Prina Rocha. 2025. 50f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Farmácia) – Departamento de Ciências da Vida, Campus I, Universidade do Estado da Bahia, Salvador - BA, 2025.
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