Ao som da inúbia e do boré, aí como era grande a minha preguiça: humor e sátira na desconstrução do perfil heroico do índio na literatura brasileira Caetité
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Resumo
Desde a formação da Literatura Brasileira o índio é presença recorrente. No entanto, os modos de representação dessa personagem mudaram ao longo do tempo, com o intuito de distanciar cada vez mais a literatura do Brasil e as literaturas portuguesa e depois, francesa. Em lugar do índio selvagem, puro, bravo, mas cheio de valores morais cristãos, representado pelos escritores indianistas, pautados no modelo do herói medieval europeu, surge, ainda no século XIX, a figura erótica do índio composta por Bernardo Guimarães em “O elixir do pajé”, uma sátira ao herói romântico anterior, construída pelo uso do calão e pela temática sexual. Mais adiante, durante o Modernismo, Mário de Andrade cria o anti-herói brasileiro “Macunaíma” que, através de seu desvio de caráter, satiriza o brasileiro que faz uso da cultura europeia. Já na contemporaneidade, o índio passa a ser representado não mais pelo viés do humor satírico, mas pelo simples humor, sem intenções críticas, conforme representado por Paulo Silvino em “A lenda da piroga de cristal”, canção composta para fazer graça durante as apresentações do humorista na década 1970, usando trocadilhos com palavras de grafia parecida e significações diferentes, mas que evocam o calão na mente do espectador até mesmo pelos gestos que acompanham a canção