Uma língua chamada portuguesa, um país chamado Brasil: a trama e a urdidura na construção de uma identidade brasileira
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Resumo
O presente trabalho busca analisar o português brasileiro a partir da noção de diassistema, demonstrando que a língua no Brasil não se reduz a um modelo uniforme, mas resulta da coexistência entre um sistema relativamente homogêneo e um diassistema heterogêneo. A pesquisa, de caráter bibliográfico, histórico, linguístico e sociolinguístico, fundamenta-se em obras que discutem a formação histórica do português brasileiro com base em Mattos e Silva (2004), Santos e Lopes (2015) e a noção de diassistema formulada por Weinreich, Labov e Herzog (1968) e ampliada por estudos posteriores. A metáfora "trama e urdidura" remete à formação histórica da língua, tecida pelos fios culturais dos povos indígenas, já presentes no território no momento da invasão colonial, dos africanos trazidos compulsoriamente e dos diversos grupos imigrantes. Influenciado pela diversidade adquirida por essas presenças e, nesse contexto de várias línguas, nasce um português próprio com características regionais de cada um desses grupos, assim como, refletindo formas homogêneas presente no vocabulário do brasileiro. O sistema, compreendido como estrutura subjacente, organiza a língua nos níveis fonológico, morfológico, sintático e semântico, garantindo estabilidade comunicativa. No diassistema, entretanto, tais níveis assumem diferentes realizações, perceptíveis nos usos fonéticos, morfológicos, sintáticos e semânticos, o que evidencia a pluralidade da oralidade brasileira.