Racismo linguístico nas comunidades de remanescentes quilombolas Sapé e Vereda dos Cais - Caetité-BA
Data
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
À medida que o mundo progride os homens ampliam sua competência linguística, tanto em contato com o outro, como através de sua cultura e vivências sócio históricas. Ainda assim, socialmente, as manifestações linguísticas devido à sua diversidade são aceitas ou rejeitadas de acordo com a classe social ou grupo étnico que pertence o indivíduo. Nessa perspectiva a presente pesquisa tem como objetivo, evidenciar o racismo linguístico que é exposto pelos autores: Aurox (1998), que mostra o racismo linguístico como uma teoria linguística a qual expõe conflitos entre línguas de diferentes países, por isso, é tratado como um racismo linguístico entre nações, diferente da teoria defendida por Lucchesi (2009), que demonstra um racismo linguístico existente dentro de uma mesma nação, neste caso o Brasil, calém disso, esse racismo linguístico é direcionado às características da fala de alguns grupos populares, como índios e afrodescendentes, ideologicamente marginalizados e alvos de racismos e discriminações. Bagno (1999, 2001) também corrobora ao abordar questões relacionadas ao preconceito linguístico e a desmistificação da superioridade e inferioridade das manifestações linguísticas, dentre outros autores. A partir daí procurou-se entender de que maneira o racismo linguístico se manifesta, especificamente, nas comunidades quilombolas de Sapé e Vereda dos Cais, situadas nos distritos de Maniaçu e Caldeiras no município de Caetité-Ba. Para isso, foi realizada a pesquisa de campo, utilizando a abordagem qualitativa de cunho exploratório. Através das análises desse corpus é que se pôde verificar a presença do racismo linguístico na medida em que os moradores dessas localidades, segundo seus relatos, são descriminados pela sua maneira de falar ao relacionar essa situação à sua condição de negro. Essa discriminação acontece também dentro da própria comunidade na medida em que a geração mais nova ridiculariza os falantes mais idosos que mantêm no falar a variante local herdada desses ethos, provocando o sentimento de baixa estima. Todavia, esse racismo linguístico é percebido pelos moradores de maneira explícita, implícita e ingênua. Sendo essas duas últimas situações, mais frequentes. Diante desse quadro conflituoso, permeado pelo confronto ideológico entre o primado da norma culta e padrão e os falares, dialetos considerados fora da norma padrão, a pesquisa é pertinente, na medida em que trás à tona essa questão que deve ser discutida e debatida numa sociedade historicamente marcada pelas relações subalternas de produção, promovedora de uma exclusão estrutural, característica primaz da sociedade de classes.