As dimensões míticas e simbólicas da transposição das águas do rio São Francisco e seus aspectos ecológicos e socioculturais

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Data
2024-12-06
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UNEB
Resumo

A transposição das águas do Rio São Francisco vai além de um simples projeto de engenharia; ela tece uma complexa rede de significados míticos e simbólicos que reverberam profundamente na cultura brasileira. O problema central desta tese é investigar como as imagens produzidas pelo telejornalismo, relacionadas à transposição do Rio São Francisco, refletem e moldam o imaginário coletivo, integrando-se às dimensões míticas e simbólicas no contexto socioambiental brasileiro. Dado que os mitos e as narrativas culturais influenciam atitudes e práticas socioambientais, estas podem ser reinterpretadas diante das crises ecológicas contemporâneas, à luz da Ecologia Humana (EH) e da Antropologia do Imaginário (AI). O objetivo principal da pesquisa foi compreender como as dimensões simbólicas e míticas associadas à transposição das águas do Rio São Francisco refletem e influenciam as percepções ecológicas. Nesse sentido, os objetivos específicos incluíram: discutir os pontos de convergência entre a Antropologia do Imaginário e as concepções da Ecologia Humana; analisar como o conteúdo midiático é permeado por mitos e símbolos que impactam as práticas socioambientais; e refletir sobre como essas imagens, captadas por câmeras e dispositivos móveis, são fruto de uma imaginação criativa e profunda, enraizada em arquétipos universais e atemporais. A pesquisa adotou uma abordagem comparativa conceitual, seguindo o modelo de Niz et al. (2016), que analisa temas ou conceitos em diferentes autores, com ou sem afinidade. Além disso, utilizou uma metodologia qualitativa, descritiva, bibliográfica e documental, associada ao método indutivo. A perspectiva teórico-metodológica da Mitocrítica e da Arquetipologia, desenvolvidas nos estudos da Antropologia do Imaginário, mostrou-se eficaz na identificação de mitos e símbolos em produtos culturais, dada sua afinidade com as ciências do texto e sua capacidade de analisar produtos midiáticos. Os resultados da pesquisa destacaram a importância dos estudos que conectam a Ecologia Humana às dimensões simbólicas do Homo sapiens, evidenciando como essas perspectivas ajudam a compreender as interações entre o ser humano e o meio ambiente. Nesse contexto, as imagens geradas pela técnica não apenas registram a realidade, mas também servem como um elo que integra as dimensões simbólicas às representações do mundo físico, traduzindo significados profundos que moldam nossas percepções. A pesquisa revelou que as narrativas de desenvolvimento econômico muitas vezes conflitam com as preocupações ambientais, influenciando de maneira complexa os valores e crenças coletivas. Esse conflito expõe a existência de um ecossistema simbólico, onde mitos e símbolos não só influenciam percepções, mas também dão origem a uma Ecologia das Imagens.


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