Uma análise de discursividades distópicas e autoritárias: entre a ficção Fahrenheit 451 e textos jornalísticos contemporâneos
Data
Autores
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
O gênero literário conhecido como distopia se configura como dispositivo de análise da sociedade. Nesse sentido, esta pesquisa objetiva analisar discursos autoritários e antidemocráticos a partir da obra distópica Fahrenheit 451 e de textos jornalísticos (G1, Veja, O Globo e Folha de S. Paulo) que tratam de posicionamentos do Governo Federal do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicados em 2020 e 2021. Assim, o estudo foi respaldado diante do seguinte problema: Em que medida há regularidades discursivas que podem ser estabelecidas entre a obra ficcional em estudo e dizeres contemporâneos que expressam formas “sutis” do autoritarismo e relação de dominação? Para discutir tal problemática, esse estudo está alicerçado no campo da Análise do Discurso, com foco na noção de silêncio, e busca analisar os processos de silenciamentos em uma determinada formação discursiva. Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa, tendo como base teórica os estudos discursivos de Orlandi (1999, 2005, 2007) e Maingueneau (2005). A fim de compreender o conceito de distopia, levou-se em consideração os estudos teóricos de Claeys (2017) e Matos (2017), além de referenciais complementares. Sob esse viés, esta pesquisa constata que há uma ascensão do discurso autoritário na ordem política e social durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, mais diretamente durante os anos de 2020 a 2021. Assim, a relação com a obra Fahrenheit 451 (articulação do discurso ficcional com dizeres do cotidiano midiático brasileiro) possibilita não só situar processos de interdição à leitura/aos livros e a dizeres de sujeitos na rede interdiscursiva, mas também compreender como o sistema de dominação persegue, rejeita e silencia as formas de conhecimento que ameaçam a permanência desse sistema.