E do dom de curar fez-se o Chá! trajetória do Zelador de Santo Domício Barreto, entre Cachoeira e Itaberaba – BA (Décadas de 1930 a 1980)
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Resumo
A dissertação examina a trajetória do Zelador de Santo Domício Barreto, conhecido como Chá Preto, destacando sua atuação religiosa, social e curativa entre as décadas de 1930 e 1980, em Cachoeira e, sobretudo, em Itaberaba, Bahia. Embora centrada em sua experiência pessoal, a pesquisa contextualiza o período histórico vivido por seus avós e pais, desde a década de 1870, para compreender como essa linhagem moldou seus valores e formas de liderança. O estudo investiga como sua trajetória, fortemente ligada ao Candomblé, sobretudo à tradição do Terreiro Loba’Necum, atuou como meio de solidariedade e afirmação identitária em um contexto marcado pelo racismo estrutural. Os resultados indicam que Chá se consolidou como uma das principais Lideranças afro-religiosas da região, reconhecido por integrar práticas espirituais e vínculos comunitários em meio às restrições e estigmatização das expressões de matrizes africanas. Fundamentada na micro-história e na história oral, a pesquisa utilizou entrevistas com Filhas e Filhos de Santo, familiares, lideranças políticas e outros integrantes da comunidade local, além de registros de imprensa, documentos civis, acervos institucionais e familiares, fontes imagéticas e bibliográficas, permitindo reconstruir memórias e evidenciar o papel dos Terreiros como espaços que articulam religiosidade, cura, saberes e perspectivas de existências. Conclui-se que sua trajetória transcende o biográfico, refletindo uma herança ancestral que preserva a fé, o Axé e o pertencimento das populações negras, ao mesmo tempo que evidencia o protagonismo afro-religioso na história da Bahia.