A arquitetura do sujeito (a)normal em Flores para Algernon
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Resumo
Os discursos operam como instrumentos de controle e poder, produzindo regimes de verdade e instituindo normas que regulam comportamentos e forjam identidades (Foucault, 2009). Os corpos, por sua vez, são moldados para atender a uma lógica funcional-produtiva, aqueles que não se adequam a ela, seja por seu aspecto biológico ou moral, são interpretados como anormais. Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) objetiva compreender em que medida os discursos da (a)normalidade atravessam e/ou constituem o sujeito que protagoniza a obra Flores para Algernon e que tem a inteligência questionada. Pretende-se entender a noção de sujeito, além dos conceitos de normalidade e de anormalidade para Michel Foucault, para se visualizar como a inteligência é discursivizada na obra. Para tanto, buscou-se descrever e interpretar como o sujeito dentro da normalidade é atravessado por camadas que o fazem percebido socialmente como inteligente, problematizando, assim, os efeitos desse discurso e demonstrando como ele contribui para a consolidação de práticas excludentes, de marginalização social, ao reforçar noções de normalidade e anormalidade. O corpus analítico é composto de recortes específicos da infância e da vida adulta do sujeito protagonista, especialmente aqueles situados pós-cirurgia de aumento de QI, entendido aqui como um acontecimento significativo no fio narrativo. Assim, serve-se dos estudos foucaultianos acerca do discurso (1995-2009), bem como os estudos de Franceschini (2012), Fonseca-Silva (2007), Gregolin (2004) e Courtine (2013) que auxiliam na sua compreensão. Com isso, constatou-se que a identidade (a)normal do sujeito resulta de práticas normativas que elevam a inteligência à condição de norma.