Semiose da bandeira nacional: uma análise das reivindicações simbólicas que representam identidades dissidentes de “Brasis”
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Resumo
Ao longo dos anos, símbolos brasileiros têm sido questionados, reinventados e apropriados. A bandeira nacional, objeto de estudo da pesquisa, e as cores verde e amarelo foram âncoras para as manifestações da extrema direita e de movimentos partidários, sobretudo, na última década. Em oposição à apropriação da bandeira por grupos antidemocráticos e ao lema “Ordem e Progresso”, grupos marginalizados estetizaram e ressignificaram o principal símbolo da pátria,inserindo nele signos, cores e palavras com caráter de reivindicações, para resgatar o senso de pertencimento à nação. Alguns exemplos de enunciados indicadores de disputas de sentido em tal cenário: “Por um novo nascimento”, “Democracia para sempre”, “KilomboAldeya”, “A ordem é samba”, “Proteja seus amigos” e “Amor, luta e resistência”. Sob essa perspectiva, surge o questionamento: De quais formas grupos sociais marginalizados reivindicam simbolicamente identidades dissidentes de “Brasis” ao criarem variações estético-visuais da bandeira nacional? Para respondê-lo, o corpora da pesquisa foi constituído por bandeiras produzidas, em diferentes materialidades, no recorte temporal entre os anos de 2014 e 2024. A metodologia da pesquisa ocorreu em três etapas: no primeiro momento, foi realizada a revisão de literatura sobre identidades e história do Brasil, com obras dos autores José Murilo de Carvalho, Luis Barbato e José Fiorin; em seguida, ocorreram as coletas de bandeiras estetizadas partir de registros da autora, exposições, sites e nos perfis do Instagram @colecao_bandeira e @colecao_bandeira_2, para então, estabelecer categorias que contemplam os temas abordados nas manifestações visuais; e, por fim, a partir das contribuições de Lucia Santaella e Charles Sanders Peirce para a reflexão sobre semiótica, mídia e imagem, foi realizada a análise de três bandeiras predominantes nas categorias. Como resultados da pesquisa, foram evidenciados os contextos de criação das obras e investigados os modos de representar culturas, ativismos e reivindicações simbólicas das identidades dissidentes de “Brasis” que perfazem a nação, analisando a produção de sentidos e as formações discursivas presentes nas variações estético-visuais da bandeira do Brasil.