A escrita-território: desdobramentos literários no movimento crítico cultural da educação escolar indígena.
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Resumo
As conquistas das comunidades indígenas no Brasil foram muito significantes nas últimas décadas, considerando, sobretudo a instituição de uma educação escolar indígena específica e diferenciada nos anos 80, com essa premissa, a relação dos povos indígenas com a escrita e consequentemente com a autoria passou por grandes transformações. Como problema central este texto-tese refere-se à necessidade de compreender de que forma a escrita-território, enquanto dispositivo metodológico crítico cultural, contribui para o entendimento da escrita literária indígena e consequentemente a ocupação desses territórios pelas comunidades, fortalecendo suas epistemologias e suas formas de representação no cenário educacional e cultural. Nesse sentido, esse tecido investigativo, parcialmente, dedica-se a investigar o papel da “escrita-território” na produção literária dos povos indígenas do semiárido baiano, com ênfase na atuação da Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena (LICEEI) ofertada pela Universidade do Estado da Bahia/UNEB, na promoção de epistemologias decoloniais, tendo como objetivo principal a compreensão da escrita literária dos povos indígenas do semiárido baiano, por meio da crítica cultural e da noção de "escrita-território", tendo como corpus principal da análise a coletânea "Vozes Indígenas". Para isso, realizou-se uma análise qualitativa da coletânea, empregando a abordagem da análise textual sob a perspectiva análise temática, permitindo identificar os elementos que relacionam a produção literária às reivindicações territoriais, identitárias e culturais de cada povo indígena retratado. A metodologia adotada foi qualitativa, baseada na análise bibliográfica, documental, com um tom majoritariamente exploratório, que envolveu a análise aprofundada de textos selecionados da coletânea, com foco nas narrativas que evidenciam a relação entre território e escrita, suas configurações temáticas, discursivas e poéticas. Como viés de sustentação teórico e metodológico desse estudo temos: Dorrico, Julie ( 2018); Hakiy, Tiago ( 2018) , Kambeba; Márcia Wayna ( 2018) ; Jekupé, Olívio (2018) ; Bergamaschi ( 2012); Graça, Graúna (2014, 2016, 2018); César, América (2006, 2011); GOMES, Kátia; SANTOS, Cosme. ( 2016); Santos, Cosme. (2011); Bakhtin, Mikael. (2010) ; SILVA, Carmem ( 2018); Cruz, Felipe (2021), Santos, Osmar Moreira (2011, 2015). Os principais achados indicam que a escrita-território funciona como um dispositivo de afirmação identitária, contribuindo para a revitalização dos saberes ancestrais e para a reafirmação das terras e territórios simbólicos e físicos, ainda, constatou-se que as produções literárias demonstram uma forte conexão entre o espaço físico, a memória coletiva e as práticas culturais, fortalecendo as identidades indígenas e promovendo uma educação decolonial capaz de confrontar narrativas hegemônicas. Na conclusão, evidencia-se que a escrita-território, enquanto olhar para analisar as produções literárias indígenas, promove uma renovação epistemológica, valorizando o conhecimento tradicional, a oralidade e os territórios de origem, numa prática que fortalece as estratégias de resistência frente às imposições coloniais e contribui para uma educação que reconhece e valoriza a diversidade cultural, ao tempo que reforça a importância do papel da Licenciatura Intercultural na construção de epistemologias decoloniais, incentivando a valorização e o protagonismo dos povos indígenas com o uso da escrita como instrumento de afirmação territorial e identitária.