Batalha do final de linha: cultura hip-hop e articulação política-comunitária
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Resumo
O Hip-Hop emerge historicamente como uma reação da juventude negra e latina submetida a condições de desigualdade, racismo e vulnerabilidade social, consolidando-se, ao longo do tempo, como uma manifestação político-cultural presente nas periferias urbanas em diferentes contextos nacionais. Mais do que uma expressão artística, o Hip-Hop constitui-se como prática social que articula dimensões culturais, educativas e políticas. Diante desse contexto, esta pesquisa tem como objetivo compreender o papel do Hip-Hop na organização política da juventude negra periférica, a partir da análise das práticas desenvolvidas pelo Coletivo Batalha do Final de Linha, que atua no bairro de Itinga, no município de Lauro de Freitas (BA). O estudo parte da compreensão do Hip-Hop como instrumento de mobilização, conscientização política e articulação comunitária, dialogando com autores como Clóvis Moura (1988, 2014), ao tratar das noções de grupos específicos, resistência negra e quilombagem; Stuart Hall (2003), na discussão sobre identidade e cultura; Ana Lúcia Silva Souza (2009), ao analisar as práticas educativas inscritas no movimento hip-hop como linguagens de reexistência ao desafiar as narrativas socialmente legitimadas; Antonio Gramsci (1982, 2000), a partir das categorias de hegemonia e intelectuais orgânicos; e Abdias do Nascimento (2016), na análise do genocídio da população negra no Brasil. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, orientada pelo método do estudo de caso, combinando entrevistas semiestruturadas realizadas com dois militantes do coletivo e observação participante, decorrente da inserção do pesquisador no campo empírico. A análise dos dados foi realizada prioritariamente por meio da análise de conteúdo, orientada por uma leitura crítica dos discursos produzidos, possibilitando apreender os sentidos atribuídos pelos sujeitos às suas práticas culturais, políticas e comunitárias (MINAYO, 2015; BECKER, 1999). Os resultados indicam que o Coletivo Batalha do Final de Linha atua como um importante espaço de socialização política, produção de consciência crítica e fortalecimento identitário da juventude negra periférica, articulando o Hip-Hop como metodologia de educação popular, mobilização comunitária e de enfrentamento às múltiplas formas de violência que atravessam o território. As batalhas de MC’s, os saraus, as oficinas e as ações comunitárias configuram-se, assim, como estratégias coletivas de resistência, produção de narrativas contra-hegemônicas e afirmação da vida nas periferias urbanas.