“Menino, quem te ensinou a sambar?”: o samba de roda como agência de afirmação da identidade negra na educação”
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Resumo
Esta pesquisa pretende discutir o caráter pedagógico do samba de roda a fim de investigar quais pedagogias são geradas na circularidade da roda e como sua intencionalidade pedagógica propicia o desenvolvimento das identidades dos seus participantes. Busca-se analisar como os saberes e aprenderes gerados na roda pode contribuir para a valorização e promoção da cultura negra na educação em uma perspectiva decolonial. Através das corporeidades negras investiga-se, recorrendo-se a entrevistas, as narrativas de homens e mulheres e reflete-se os saberes grafados na memória, orientando a análise pela escrevivência de Conceição Evaristo (2020) e pela oraleitura de Leda Maria Martins (2021). A educação brasileira é analisada com apoio das contribuições de Nilma Lino Gomes (2003) e Kabengele Munanga (1996) e para analisar-se a reprodução do racismo no sistema educacional, disseminado pelo sistema cultural e pelo currículo oficial das escolas brasileiras, acentuando as desigualdades raciais e educacionais. Apresenta-se as reivindicações dos movimentos sociais e negros para a elaboração das políticas educacionais de reparação, resultando na Lei 10639/2023. Assim, através da pedagogia negra feminista trazida por Cláudia Cardoso (2019) foi possível compreender as dimensões pedagógicas, políticas, culturais do samba de roda partindo das margens e dos labirintos da memória para anunciar uma perspectiva negra que rompe os silêncios e as tentativas de apagamentos e propõe praticas pedagógicas multiculturais. Foi possível constatar que o samba de roda rasura a historiografia oficial eurocêntrica e possibilita uma pedagogia outra que humaniza e potencializa os sujeitos e sujeitas da roda.