Carolinas em movimento- escrevivência de escritoras negras na Flup 2020

dc.contributor.advisorSeidel, Roberto Henrique
dc.contributor.authorPereira, Elisângela Soares
dc.contributor.refereeOliveira, Maria Anória de Jesus
dc.contributor.refereeMiranda, Fernanda Rodrigues de
dc.contributor.refereeSantos, Osmar Moreira dos
dc.date.accessioned2026-01-01T14:11:14Z
dc.date.available2026-01-01T14:11:14Z
dc.date.issued2025-01-10
dc.description.abstractO objetivo geral dessa pesquisa é analisar as apreensões do mundo político, econômico e social de oito escritoras negras, selecionadas para o processo formativo da nona edição da Festa Literária das Periferias- Flup, partindo das suas escrevivências e das interlocuções com Carolina Maria de Jesus. O ponto de partida é analisar oito cartas (vídeos performances) e textos das respectivas autoras publicados no livro Carolinas – a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021) pela vertente da escrita feminina negra marcada pela autorrepresentação, auto ficções e escrevivências a fim de articular autoras com a escritora Carolina. Nessa premissa, o corpus da pesquisa abrange as escritoras Clara Anastácia, Yérsia Assis, Jota Ramos, Ananda Azevedo, Karlana Bianca, Ana Francisca, Valéria Alves e Paty Wollf. Escritora negra e periférica, Carolina Maria de Jesus ganhou notoriedade ao escrever Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960) pelo sucesso editorial. Sua escrita autobiográfica é um testemunho de escrevivência e revela a força da voz feminina ao tratar de questões sociais e de gênero. A celebração dos 60 anos de publicação do best seller foi força motriz para vários eventos literários e artísticos. Assim, em 2020, a nona edição da Festa Literária das Periferias- Flup- homenageou as escritoras Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez. Sobre a primeira foi realizado o Ciclo de debates intitulado Uma revolução chamada Carolina aberto ao público via digital e oficinas para mulheres autodeclaradas negras que se inscreveram e foram selecionadas para participar do processo formativo que culminou na publicação do livro Carolinas- a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021). Como resposta à chamada pública, 485 mulheres se inscreveram, destas 180 foram selecionadas. A seleção se deu por meio da escrita de uma carta a Carolina. Ao final de cada um dos quinze painéis formativos do Ciclo de debates uma carta foi apresentada, permitindo assim conhecer as jovens escritoras negras que são responsáveis por dar continuidade ao legado de Carolina Maria de Jesus. A inscrição estética destas mulheres inspiradas em Carolina Maria de Jesus e que ressignificam o nome da escritora para um patamar conceitual nos permite perceber o potencial da obra de Carolina de se expandir porque “circula entre os valores de semente, de vida, sobrevida e suplemento” (DERRIDA, 2002). A escrevivência, termo cunhado por Conceição Evaristo (1994), torna-se mote e motor literário e o livro coletivo atua como enfrentamento da invisibilidade e despersonalização do racismo e contribui para circular os acervos e promover o letramento da (re)existência e da resistência das novas escritoras negras. Grada Kilomba define a escrita “como ato político de descolonização, de tornar-se autora e autoridade da própria história” (KILOMBA, 2019, 28). A reivindicação do direito à palavra literária está atrelada nas Carolinas ao direito de tornar-se escritora e sujeito de sua história, se entendida na acepção de bell hooks (2019). Sob os signos do racismo, da desigualdade, da perversa divisão social e espacial, das dificuldades (i)materiais, as Carolinas reexistem e se inscrevem na literatura brasileira. Assim, o eixo teórico da pesquisa contempla o pensamento feminista negro. Mantém-se um diálogo constante com intelectuais negros e intelectuais negras. São estas: Sueli Carneiro (2003/2019/2023), Conceição Evaristo (2020), bell hooks (2019/2020), Grada Kilomba (2019), Patricia Hill Collins (2019/2021/2023), Neusa Souza (2021), Beatriz Nascimento (2021), Lélia Gonzalez (2020) dentre outras(os), cujas contribuições teóricas são fundamentais para a execução deste trabalho e se espalham ao longo de toda a discussão proposta.
dc.description.abstract2The general objective of this research is to analyze the apprehensions of the political, economic and social world of eight black writers, selected for the formative process of the ninth edition of the Festa Literária das Periferias - Flup, based on their experiential writings and conversations with Carolina Maria de Jesus. The starting point is to analyze eight letters (video performances) and texts by the respective authors published in the book Carolinas – a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021) from the perspective of black female writing marked by self-representation, self-fictions and experiential writings in order to articulate authors with the writer Carolina. On this premise, the research corpus covers the writers Clara Anastácia, Yérsia Assis, Jota Ramos, Ananda Azevedo, Karlana Bianca, Ana Francisca, Valéria Alves and Paty Wollf. A black and peripheral writer, Carolina Maria de Jesus gained notoriety when she wrote Child of the Dark: the Diary of Carolina Maria de Jesus, 1960 (in Portuguese: Quarto de Despejo: diário de uma favelada), due to its editorial success. Her autobiographical writing is a testimony of experiential writing and reveals the strength of the female voice when dealing with social and gender issues. The celebration of 60 years of publication of the best seller was a driving force for several literary and artistic events. Thus, in 2020, the ninth edition of the Festa Literária das Periferias - Flup - paid homage to the writers Carolina Maria de Jesus and Lélia Gonzalez. On the first, a cycle of debates entitled “The revolution called Carolina” was held, open to the public via digital and workshops for self-declared black women who signed up and were selected to participate in the training process that culminated in the publication of the book Carolinas- a nova geração de escritoras negras brasileiras (2021). In response to the public call, 485 women signed up, of which 180 were selected. The selection was made by writing a letter to Carolina. At the end of each of the fifteen formative panels of the cycle of debates, a letter was presented, thus allowing us to get to know the young black writers who are responsible for continuing the legacy of Carolina Maria de Jesus. The aesthetic inscription of these women inspired by Carolina Maria de Jesus and who reframe the writer's name to a conceptual level allows us to perceive the potential of Carolina's work to expand because “it circulates between the values of seed, life, survival and supplement” (DERRIDA, 2002). Experiential writing, a term coined by Conceição Evaristo (1994), becomes a motto and literary engine and the collective book acts as a way to confront the invisibility and depersonalization of racism and contributes to circulating collections and promoting the literacy of (re)existence and resistance of new black women writers. Grada Kilomba defines writing “as a political act of decolonization, of becoming the author and authority of one’s own history” (KILOMBA, 2019, p.28). The claim to the right to the literary word is linked in the Carolinas to the right to become a writer and subject of her story, if understood in the sense of bell hooks (2019). Under the signs of racism, inequality, perverse social and spatial division, (im)material difficulties, the Carolinas re-exist and are inscribed in Brazilian literature. Thus, the theoretical axis of the research contemplates black feminist thought. A constant dialogue is maintained with black intellectuals. These are: Sueli Carneiro (2003/2019/2023), Conceição Evaristo (2020), bell hooks (2019/2020), Grada Kilomba (2019), Patricia Hill Collins (2019/2021/2023), Neusa Souza (2021), Beatriz Nascimento (2021), Lélia Gonzalez (2020) among others, whose theoretical contributions are fundamental to the execution of this work and spread throughout the proposed discussion.
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dc.identifier.citationPereira, Elisângela Soares. Carolinas em movimento- Escrevivência de escritoras negras na Flup 2020. Orientador: Roberto Henrique Seidel. 2025. 159 F. Dissertação (Mestrado em Crítica Cultural) - Departamento de Linguística, Literatura e Artes, Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas, 2025.
dc.identifier.urihttps://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/10328
dc.identifier2.Latteshttp://lattes.cnpq.br/8053501072834985
dc.identifier2.ORCID0009-0008-1095-5907
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade do Estado da Bahia
dc.publisher.programPrograma de Pós-graduação em Crítica Cultural
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.rights2Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.subject.keywordsCarolinas
dc.subject.keywordsEscrita feminina negra
dc.subject.keywordsEscrevivência
dc.subject.keywordsFlup
dc.titleCarolinas em movimento- escrevivência de escritoras negras na Flup 2020
dc.title.alternativeCarolinas in Motion- the escrevivência of black women writers at flup 2020
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/masterThesis
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