Limites e possibilidades da prática da educação física na escola do campo
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Resumo
O presente artigo como objetivo analisar criticamente os limites e as possibilidades da prática pedagógica da Educação Física na Escola do Campo, compreendendo de que maneira fatores estruturais, curriculares e formativos influenciam a atuação docente nesse contexto. A investigação fundamentou-se em uma perspectiva marxista e na Pedagogia Histórico-Crítica, entendendo a Educação do Campo como um projeto político-pedagógico construído pelos sujeitos do campo e orientado pela valorização da identidade, da cultura e das práticas sociais camponesas. A partir dessa abordagem, reconhece-se que a oferta escolar no campo sofre impactos diretos das desigualdades históricas, da concentração urbana e dos processos de expropriação que moldam a organização social e educacional das populações do campo. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo, de natureza descritivo-exploratória, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica. Foram selecionados artigos, livros, dissertações e documentos acadêmicos disponíveis em bases como SciELO, Google Acadêmico e Periódicos CAPES, utilizando descritores relacionados à Educação do Campo, Educação Física, limites e possibilidades pedagógicas. Os critérios de inclusão priorizaram produções dos últimos dez anos e publicações alinhadas às perspectivas críticas adotadas. A análise dos materiais resultou em três eixos temáticos: Educação do Campo, O Contingente e O Necessário. Os achados revelam que a Educação Física nas escolas do campo é marcada por precarização estrutural, ausência de materiais, falta de espaços adequados para as aulas, currículos urbanocêntricos e formação docente insuficiente. Os estudos de Costa (2019), Silveira et al. (2023), Conceição et al. (2018), Ribeiro et al. (2022), Silva (2020) e Marin et al. (2010) demonstram que tais limites configuram contingências que ultrapassam a ação individual do professor, refletindo desigualdades estruturais presentes na educação do campo. Apesar disso, os mesmos autores indicam possibilidades concretas para a qualificação da prática pedagógica, destacando a importância de uma atuação docente contextualizada, fundamentada em referenciais críticos e articulada à Cultura Corporal e às vivências comunitárias. A formação docente crítica e continuada, o planejamento intencional e a valorização dos saberes locais emergem como elementos essenciais para transformar limitações em potencialidades educativas. Conclui-se que, embora a prática da Educação Física no campo enfrente desafios significativos, existem caminhos para sua ressignificação a partir de políticas públicas, formação docente e propostas pedagógicas que reconheçam a especificidade do território. Recomenda-se que pesquisas futuras realizem estudos empíricos em escolas do campo, ampliando o debate sobre o papel social da Educação Física na formação humana e na afirmação da identidade camponesa.