Discursividades do trabalho doméstico na obra ficcional Que Horas Ela Volta?
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Resumo
Este estudo é resultante da constante observação acerca das relações desiguais entre patrão e trabalhadora doméstica, construídas no ambiente de convivência laboral. No Brasil, vivemos um momento em que os menos favorecidos são relegados a planos secundários no que diz respeito ao mundo do trabalho e, consequentemente, representações imaginário-simbólicas são construídas de maneira pejorativa e carregadas de um estigma de inferioridade, contribuindo para reforçar o preconceito e a constante desvalorização da categoria. Nesse sentido, esta pesquisa propõe-se a investigação das projeções cristalizadas no imaginário social a partir da relação patrão/empregada, inferindo-se como hipótese a ideia de que as representações que perpassam o imaginário simbólico acerca do trabalho doméstico são projeções subalternizadas, ainda presas à colonialidade. Servirão como foco de nossa análise, alguns recortes discursivos da obra ficcional Que Horas Ela Volta? (2015) os quais serão analisados à luz do dispositivo teórico-metodológico da Análise do Discurso. Os recortes para análise não perderão de vista enunciados que tratam de projeções imaginário-simbólicas (PÊCHEUX, 1997); (ORLANDI, 2020); os sentidos do Trabalho (Antunes, 2002) e condição subalterna (BERNARDINO-COSTA, 2007). Espera-se com esta pesquisa, evidenciar a real condição vivida por empregadas domésticas no âmbito de seu trabalho, uma vez que ainda predomina o preconceito de classes. O estudo desenvolvido torna-se relevante para o campo de saber central ao qual se destina, o das Letras, visto que está ancorado nos pressupostos linguístico discursivos, permitindo-nos um contato direto com o estudo da língua e de suas maneiras de significar. É pertinente, também, por possibilitar o início de uma dialogicidade com o campo das Ciências Humanas e sociais, fazendo-se necessário, portanto, ir na contramão das formas de representação midiática, pautadas na invisibilidade da empregada doméstica na sociedade