Síndrome de burnout em professores da área da saúde de universidade pública da Bahia
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Resumo
A síndrome de burnout (SB) é um fenômeno causado por um estresse crônico relacionado ao trabalho que foi mal gerenciado, sendo um problema de saúde pública e um dos grandes desafios da sociedade atual, principalmente após a pandemia da COVID-19. Dentre os profissionais acometidos, os docentes são um dos mais afetados, sobretudo, devido a inadequadas condições de trabalho. Frente a isso, esse estudo tem como objetivo analisar as áreas da vida profissional preditoras da SB e a sua associação com a qualidade de vida dos professores da área da saúde de uma universidade pública da Bahia. Para coleta de dados, incialmente, quatro questionários autoaplicáveis (sociodemográfico e ocupacional, Maslach Burnout Inventory, Areas of Worklife Scale e World Health Organization Quality of Life Scale) foram respondidos por 175 professores da área da saúde da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Em uma segunda etapa, um questionário sociodemográfico foi aplicado apenas com as docentes, com a participação de 61 mulheres. Posteriormente, foram realizadas as análises estatísticas dos dados coletados. Os resultados revelaram que a exaustão emocional foi a dimensão central da SB, com o perfil sobrecarregado sendo o mais prevalente (51,4%). A sobrecarga de trabalho e a falta de recompensa foram os principais preditores de exaustão emocional e despersonalização, enquanto a percepção de controle, recompensa e justiça influenciou a realização pessoal dos docentes. As mulheres apresentaram níveis significativamente mais elevados de exaustão emocional do que os homens. Os principais desafios dessas docentes, diante da tripla jornada, incluem, principalmente, a dificuldade de conciliar trabalho, família e vida pessoal, a sensação de falta de tempo, a pouca dedicação à família, lazer e autocuidado, o sentimento de culpa por não atender a todas as demandas e a dificuldade de estabelecer limites entre vida profissional e pessoal. Além disso, mais de um terço das docentes relataram ter sofrido assédio no ambiente de trabalho, e aproximadamente 40% faziam uso de medicações para tratar ansiedade, depressão e insônia. A relação entre a SB e qualidade de vida foi evidenciada, com correlações negativas entre exaustão emocional e despersonalização e os domínios físico, psicológico, social e ambiental. Em contrapartida, a realização pessoal apresentou correlação positiva com todos os domínios da qualidade de vida. Embora a maioria dos professores estivesse sobrecarregada, mais da metade avaliou sua qualidade de vida como boa, o que pode refletir tanto fatores de resiliência quanto a normalização da sobrecarga no contexto acadêmico. Esses achados reforçam a necessidade de intervenções institucionais para a redução da carga de trabalho, a promoção da equidade de gênero e o fortalecimento do suporte aos docentes, visando melhorar sua qualidade de vida e prevenir o esgotamento profissional.